Nossa fé[de] cada dia

25 de junho de 2017 Deixe um comentário

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Após uma era caracterizada por crise de ideologias, hoje vivemos uma época onde as instituições tentam permanecer estabelecidas, mas às custas de mirabolantes malabarismos, onde propaga-se no consciente coletivo uma falsa essência, a saber: a prosperidade financeira. Dizem que igreja, Estado e escolas ainda são bases fundamentais da sociedade. Mas o fato é que estas instituições teimam em tornar o indivíduo mais inócuo e sem sentido nas coisas essenciais: família, amizade, comiseração, etc. Outrora preocupava-se com o coletivo de tal maneira que o indivíduo buscasse negar suas percepções em troca de favorecer o coletivo. Pois, de tanto o “coletivo” inchar para dentro dele mesmo, metamorfoseou-se num monstro que ora representa a ideia de um Leviatã, com seus tentáculos (aparelhos ideológicos), ora se projeta como um deus paternalista, metendo-se em coisas que nunca deveria interferir (família, educação e fé). As instituições, a meu ver, são entes bestiais que tentam, a todo custo, ofuscar as essências humanas projetadas por Deus. Tentam sugar todo sangue daqueles que estão debaixo de sua “jurisdição” (ou seja, quase toda a sociedade, exceto algumas sociedades tribais que ainda não se ocidentalizaram).

Esforço-me meditar constantemente nas particularidades de fenômenos religiosos que crescem e se projetam na sociedade brasileira. Pois que o nosso país, para vergonha minha, caracteriza-se por uma religiosidade institucional acima da média que outros países. Ao invés de incutir a responsabilidade no indivíduo, costumamos atribuí-la às instituições. Por isso deve-se, em partes, essa crise institucional à qual nos deparamos.

Pois bem, para que eu tenha um mínimo de atenção de vós, leitores, nesta minha ácida e tórrida denúncia (que não promete apresentar nada de novo no front da teologia contemporânea), tenho no mínimo de apontar alguns exemplos.

Voltando ao assunto, aqui no Brasil temos pelo menos dois polos a considerar dentro do cristianismo: o catolicismo romanista, outrora emergente mas que hoje encontra-se em declínio. E, de outro lado, um evangelicalismo protestante que encontra-se em factível emergência.

O primeiro sempre buscou materializar a fé, no tocante à adoração, em algo que não tem vida própria (neste caso, a veneração de imagens, que para mim não é menos que uma certa forma de adoração). Quanto às muitas igrejas evangélicas, percebe-se nela forte tendência de buscar uma simpatia e até mesmo adoração para com o dinheiro, o capital, a prosperidade financeira, muito venerada e enfatizada nas mensagens pregadas aos domingos e dias de culto.

Ora, quanto ao catolicismo, na minha opinião, um dos motivos de seu declínio explica-se no fato de se buscar adoração em anátemas, ou seja, em algo que não tem vida. Visto que o homem pós moderno é caracterizado por um pragmatismo narcisista, conforme apresentado pelo filósofo e jornalista Gilles Lipovetsky em um excelente estudo sobre essa fatídica tendência, em seu livro A Era do Vazio. Então, nada mais certo que este novo homem tenha abandonando esta antiga forma de adoração, oriunda da antiga mãe das prostituições, o catolicismo romano, e venha buscar outra forma de adoração que lhe seja mais vantajosa, um espírito capitalista que lhes dê certa “independência financeira”.

Não é absurdo inferir que a igreja evangélica cresce por causa de sua costumeira postura em adorar algo que está muito presente em nosso cotidiano: o dinheiro, as riquezas, a prosperidade, ou melhor, um outro deus que não lhes exija dependência exclusiva, a saber: “mamon[1] (Mt 6:24 e Lc 16:13), um deus produzido por crença humana, e que sempre se faz concorrência com o verdadeiro Deus Criador, no tocante às nossas necessidades. Ao contrário deste último, que nos exige nada mais nada menos que “renúncia e entrega total”, o outro não nos exige nada, mas nos promete “independência financeira, prosperidade”. Pergunto-lhes: qual é mais vantajoso para aqueles que buscam alívio imediato?

Ao invés de recuar desta prática errônea, o protestantismo tupiniquim pauta-se no ditado popular, a saber, que a melhor defesa é o ataque. Pois é muito fácil criticar a idolatria de outrem, mas esconder atrás da porta a sujeira proveniente da própria idolatria. É fácil atirar para frente, mas quase impossível e muito improvável colocar para correr seus próprios demônios!

Ora, a igreja institucional contemporânea abraçou a ideia de ser ela não somente a juíza das causas sociais, mas também a própria “acusadora” da sociedade que não lhes dá o devido crédito (para ser mais realista, “o dinheiro”). Acusam não somente aqueles de fora de seu domínio, mas também seus próprios membros de serem infiéis nos dízimos e nas ofertas. Mas sequer explicam-lhes esses conceitos à Luz da Verdade Bíblica. Pelo contrário, promovem pregações que visam engrandecer a instituição e menosprezar o indivíduo enquanto Filho de Deus. Fermenta-se para dentro dela própria. Não luta em promover a justiça social fora de suas muralhas! Às vezes criam algumas instituições filantrópicas para abrigar viciados etc.. Mas muitas vezes cobram para isso. Usam o nome de Cristo, mas se fazem impostores (Cl 2:8). E pior, no fim da história se passam por “bonzinhos” aos olhos dos incautos e incultos na fé.

Digo isso com tristeza, pois já não temos mais bandeiras para levantar! Como diria um outro ditado popular: “estamos num mato sem cachorro”. Mas eu creio que há um propósito maior nisso tudo. Talvez Deus esteja nos despojando de nossas falsas esperanças a ponto de nos deixar com aquilo que somente deveria nos interessar, Sua Graça!

Um dia um líder de uma dessas igrejas me dirigiu a palavra dizendo-me que o “o governo estava tirando tudo da igreja. Que havia estabelecido um decreto ao qual não seria mais permitido usar aparelhagem de som após as 22 horas”. Eu, na minha impetuosidade costumeira, disse-lhe que nas minhas orações de cada dia, uma de minhas petições era justamente a de “que Deus tirasse tudo da igreja institucional, mas que lhe deixasse apenas aquilo que lhe fosse primordial, Jesus Cristo”. Pensei que ele fosse se ofender e retrucar-me, mas para minha alegria nossa conversa parou por ali mesmo! Houve um silêncio misterioso em ambos.

Acredito que há ainda vozes (e não poucas) que clamam no deserto. Vozes que não se importam com popularidade ou aceitação; vozes que são incompreendidas e até mesmo odiadas, sufocadas e em algumas situações, silenciadas! Mas, por sorte, haverá tempos de refrigério àqueles que buscam se esforçar em se posicionar e propagar a verdade em Cristo Jesus. É claro, sem aquela velha dose de farisaísmo ou fundamentalismo cego e mesquinho! Mas sim, aqueles que ainda não se folgam com o conformismo costumeiro. Sentem-se incomodados com a religiosidade egocêntrica e hipócrita, mas que Labutam para enaltecer unicamente o senhorio do Salvador, colocando no devido lugar as atitudes impostoras de muitos que se fazem intitulam liderança.

Por outro lado, tão certo como o refrigério prometido para os primeiros, haverá ceifa no arraial. E daí eu quero ver onde vai parar toda essa estranha fama, todos os falaciosos aparatos usados para distrair a fé do povo… Haverá Aquele que julgará toda a ação egoísta e impostora. E não escapará da fornalha nenhum destes! Fatalmente serão enviados para o mesmo lugar que haverão de ser destinados os muitos demônios e anjos caídos, inclusive este deus que tem distraído muitos cristãos nos dias atuais: mamon. Mas isso, infelizmente, não abrangerá somente os tais impostores, que adentram o Reino pela porta dos fundos (Jo 10:1-7). Mas também haverá juízo para aqueles que são coniventes com suas fábulas e práticas falaciosas! Serão gravemente responsabilizados por sua omissão. Pois que, o pecado de omissão é tão mais grave do que o pecado consumado! (ver 1 Sm cap. 2). Deus não somente puniu aquele que estava cometendo o pecado de omissão (Eli), mas também agravou a situação, punindo até mesmo toda a família.

Há, portanto, um sério risco que corremos em toda essa engrenagem de situações às quais nos encontramos inseridos nos dias atuais. Continuaremos tolerar tais práticas dentro de nosso meio? Valerá a pena correr o risco de pagar um preço tão alto com essa nossa “mornidão”?

Pois que, somos sacerdócio real, e por isso, inevitavelmente teremos diante de Deus maior responsabilidade do que aqueles que se encontram pelo lado de fora do arraial (a sociedade em geral). Deus não cobrará de governantes ou de magistrados, mas cobrará de nós, cristãos, tolerar práticas descontextualizadas de Sua vontade para os dias de hoje! Jesus ainda adverte que, se acrescentarmos quaisquer fundamentos sobre o que Ele disse, seria melhor que nem mesmo tivéssemos existido!

“Os pecados da liderança são mais graves, mais hipócritas e mais danosos. Mais graves porque o líder peca contra o maior conhecimento. Mais hipócrita porque o líder denuncia o pecado em público e o comete em secreto. E mais danosos porque o líder quando cai sempre conduz outros a queda” (Richard Baxter, século XVII).

Para os impostores, rogo a Deus que estes ainda encontrem motivos de arrependimento, e que tornem à Ele, submissos à única autoridade sadia e amorosa. Que o entendimento destes possa, em tempo, mudar de lado, escolhendo a Graça e Paz por parte da verdadeira autoridade, justiça e salvação para as nossas vidas! Que haja ainda tempo de arrependimento nestes dias onde os corações são constantemente endurecidos, motivados por falsas convicções e entorpecimento de juízo.

Sinceramente, tenho por verdade que “todo filho de Deus” é templo e morada do Espírito Santo. E tem muitos que ainda “fazem questão” de não entender isso. Usam as Escrituras para torcer a verdade e oprimir ainda mais o povo, em sua costumeira “sonolência” (1 Co 11:30). Já basta políticos e poderosos que muito enfaticamente exercem a opressão. Ainda mais religiosos que leem a Bíblia ao seu bel poder. Que vergonha! Visto que não há mais templo de Salomão (aliás, há muitas réplicas dele por aí). Visto que Jesus disse que Ele iria para o Pai, afim de nos enviar o Espírito Santo, e que “nós”, indivíduos e não instituições, somos “templo” e morada do Espírito e sacerdócio real, então por que cargas d’água devemos insistir nessa prática ritualista e idólatra, favorecendo o espírito de um outro deus (mamon) em nossa prática de fé? Por que não se ensina nas EBD’s a prioridade em atendermos os necessitados ao invés de trazermos dízimos, etc? Temos sim que cuidar do nosso próximo. E isso é dever nosso, individual. E não para repassarmos à uma instituição que se faz de impostora através de uma falsa humildade e vã filosofia (Cl 2:8). Espero que essas simples e sinceras palavras ajudem aqueles que se encontram “desesperançosos” na fé a ter um melhor discernimento sobre essa temática, tão distorcida e martelada nas muitas cabeças confusas nesses dias poucos trabalhosos para os que ambicionam uma vida fácil, às custas da ignorância alheia. Que nossa fé seja real e não falaciosa e descompromissada, a ponto de delegar a outrém ou a instituições aquilo que Deus ordenou a nós próprios fazer. Deixemos de ser cristãos preguiçosos e presunçosos. Chega dos mesmos! Que nos arrependamos enquanto há tempo para tal.

“Não, a mão de Iahweh não é muito curta para poder salvar, nem o seu ouvido tão duro que não possa ouvir. Antes, são as vossas iniquidades que criaram um abismo entre vós e o vosso Deus. Por causa dos vossos pecados ele escondeu de vós o seu rosto para não vos ouvir. Por isso o juízo reto está longe de nós; a justiça não está ao nosso alcance. Esperávamos a luz, e o que veio foram trevas; a claridade, e no entanto, caminhamos na escuridão”. (Isaías 59:1,2,9)

E que a Paz de Deus, a Graça de Jesus Cristo e a comunhão do Espírito Santo possa tocar nossas almas nesses últimos dias!

[1] Mamon era um deus dos filisteus que o adoravam como se fosse o deus da prosperidade. Este termo significa também, no aramaico, RIQUEZAS.

Referências que contribuíram para minha percepção neste assunto:

ALENCAR, Gedeon Freire. Protestantismo Tupiniquim: Hipóteses sobre a (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. 2005. Arte Editorial.

BARRO, Jorge Henrique (org.). Uma igreja sem propósitos: os pecados da igreja que resistiram ao tempo, 2004. Mundo Cristão.

BRABO, Paulo. A bacia das almas: Confissões de um ex-dependente de igreja, 2009. Mundo Cristão.

ELLUL, Jacques. O homem e o dinheiro: aprenda a lidar com “a origem de todos os males“, 2008. Editora Palavra.

OLIVEIRA, Paulo José F. de. Desmistificando o dízimo: o que a Bíblia realmente ensina sobre o dinheiro, 1999. A.B.U. Editora.

PIERRAT, Alan B. O evangelho da prosperidade: análise e resposta, 1993. Vida Nova.

WHITE, John. Dinheiro não é Deus: então por que a igreja o adora?, 1996. A.B.U. Editora.

 

Empresários ou pastores? O negócio lucrativo das megaigrejas nos Estados Unidos

30 de novembro de 2016 2 comentários

Sei de cor seus comentários
Sobre o mal da alienação
Mas eu não vivo de salário
Eu não vivo de ilusão

(Engenheiros do Hawaii, 1986)

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Venho estudando o comportamento da sociedade norte-americana ao longo de mais ou menos 5 anos, onde pude tecer algumas páginas à respeito de desdobramentos religiosos, políticos e culturais nesta tão afamada e influenciadora sociedade.

E, como de costume, exercito-me em estender tais comportamentos direcionando-os à nossa sociedade (brasileira) que, por muitas vezes, trata de adotar os muitos sintomas propagados pelos nossos amigos ianques.

Quando se fala em política, acredito que ficamos um pouco longe dos comportamentos do quadro norte-americano. Mas quando refletimos sobre os desdobramentos que nosso protestantismo tupiniquim vem adotando, torna-se inevitável recorrermos ao modelo dos ianques. Boa parte de nosso protestantismo ou evangelicalismo (como muitos preferem chamar pois, a meu entender, faz bastante tempo que o protestantismo deixou de protestar suas discordâncias às torpes culturas mundanas), continua refletindo, mesmo que lentamente, as inclinações contidas nas formas de religiosidades advindas dos fundadores das muitas de nossas denominações aqui.

Li um artigo originário do colunista Boris Leonardo Caro (traduzido pelo Yahoo Noticias), no qual apresenta as novas configurações e tendências da igreja emergente nos EUA. Achei bastante interessante, visto que no Brasil este modelo já está tomando um formato semelhante. Em uma de minhas visitas a uma denominação (que se diz histórica e protestante) aqui em Curitiba, pude observar o espaço que mais se parece a um shopping center do que a um templo religioso onde as pessoas procuram com a finalidade de “se esvaziarem diante de Deus”.  Bom, sei que isso soa como um prognóstico um tanto fundamentalista, pietista ou qualquer coisa relacionada à um certo quê de conservadorismo… Mas, não posso deixar de notar que o homem contemporâneo vem constantemente adotando em seus trejeitos um espírito de narcisismo. Gosta de se projetar sob as lentes da sociedade. Busca consumir e usufruir tudo ao ser redor. Não mais se mostra preocupado com uma fé contemplativa. Por outro lado, busca se projetar, se fazer notar perante a alteridade. Entende isso tudo como uma maneira de se “fazer existir”. Mas, também busca aquilo que lhe apraz. Busca uma outra forma de notabilidade: a bajulação! Pois, quando vou a algum templo (preferencialmente evangélico) não deixo de perceber toda a liturgia voltada para a adoração do homem, uma certa forma de antropolatria. Protesta-se contra a tão famosa “idolatria” presente nas liturgias do catolicismo romano, mas sequer escondem as fortes inclinações desta tal “antropolatria”, ou seja, a inescapável tendência de se adorarem mutuamente. Esquece-se da miserabilidade humana diante do Deus santo, e desenfreiam-se num espírito de bajulação sem tamanho.

Passando para um outro prisma, reproduzo abaixo, na íntegra, o tal artigo que, segundo o colunista cubano, traduz esse espírito consumista da fé contemporânea nos EUA. Mas que, para mim, não está tão diferente dos daqui, em nosso protestantismo tupiniquim.

Neste artigo que vos apresento logo em seguida, o que me chama mais a atenção não é o numerário correspondente a receita faturada pelas denominações, tampouco o espírito ultra autoritário e soberano por parte de seus líderes, mas sim a sua semelhança com a sensação de adentrar aos shopping centers. Para mim, este é o verdadeiro espírito do “consumismo” contemporâneo, como nos relatou o nobre sociólogo Max Weber no seu estudo “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Obra esta que, para minha infelicidade, não pude contemplar a refutação de nenhum defensor do protestantismo.

Apreciem sem moderação!

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Cada vez menos os norte-americanos se declaram cristãos. As comunidades católicas, protestantes e evangélicas perderam terreno diante de quem não se identifica com nenhuma religião. No entanto, nas megaigrejas este declínio parece ser apenas um truque estatístico, distante do fervor dos frequentadores destes templos liderados por pastores carismáticos.

De acordo com a definição do Hartford Institute for Religion Reserch, “o termo megaigreja, em geral, se refere a qualquer congregação cristã protestante com uma frequência semanal de pelo menos 2 mil pessoas em seus serviços de culto.” O fenômeno teve início na década de 1970 e chegou ao seu auge nos últimos anos com a ascensão do protestantismo evangélico, a única tendência que resistiu em cifras absolutas à queda no número de religiosos entre os norte-americanos.

O crescimento espetacular destas congregações, muitas à margem das denominações tradicionais, despertou também dúvidas sobre o seu funcionamento. As críticas se dirigem especialmente à gestão autoritária de alguns líderes, cuja ambição pessoal se mistura com a missão das igrejas. Além disso, a gestão das finanças e os salários dos pregadores também levantaram suspeitas.

Empresários ou pastores?

Um pastor cristão de uma pequena congregação recebe um salário anual em torno de U$ 28 mil dólares, segundo a National Association of Church Business Administration. A diferença em relação a certos líderes espirituais de megaigrejas é impactante.

Joel Olsteen, que anos atrás aceitava U$ 200 mil por ano da Lakewood Church, agora vive das vendas multimilionárias de seus livros. Ele mora em uma mansão em Houston, no Texas, avaliada em U$ 10,5 milhões. Ed Young, da também texana Fellowship Church, recebe U$ 1 milhão, além de outros milhares em benefícios e a possibilidade de viajar em um jato privado de U$ 8,4 milhões. Outros acumulam centenas de milhares de dólares em salários, embora esta elite ainda represente uma minoria dentro das igrejas norte-americanas.

Os milhões fluem dos cofres cheios das megaigrejas. Uma investigação dos editores do Online Christian Colleges revela que as 10 congregações mais frequentadas nos Estados Unidos gerenciam orçamentos que superam os U$ 35 milhões anuais. Em declarações para uma pesquisa do Hartford Institute, o administrador da antiga Chapel Hill Harvester Church a descreveu como um negócio que funciona com o nome de igreja. “Somos uma igreja que gera 10 milhões de dólares por ano e temos que operar como uma empresa,” explicou.

Estes ganhos fantásticos, que chegam através da venda de livros, material multimídia e doações, transformaram radicalmente a maneira de transmitir os sermões. As megaigrejas de maior sucesso contam com equipamento de áudio e vídeo de alta tecnologia, instalações confortáveis para os fiéis, grandes estacionamentos, ofertas adaptadas a diferentes idades, áreas recreativas, e uma localização privilegiada em áreas do subúrbio de cidades em plena expansão, como Los Angeles, Dallas, Atlanta, Houston, Phoenix e Seattle.

A essência personalista destas igrejas dificulta a prestação de contas dos líderes religiosos. Quando os pastores atuam como autoritários diretores executivos de uma empresa, com o poder que a liderança espiritual lhes outorga e seu papel na arrecadação, a linha entre a missão religiosa e a rentabilidade financeira se torna nebulosa.

A igreja, como um shopping center

A pesquisa do Hartford Institute compara o conceito de megaigreja com a oferta de boutiques especializadas em um centro comercial. Esta variedade de opções permite que os fiéis encontrem uma resposta quase personalizada para suas necessidades espirituais, que vai muito mais além da satisfação que experimentam com os sermões. Além disso, os membros muito ativos podem fazer trabalho voluntário ou empregar-se a serviço da congregação. O resultado é uma comunidade dinâmica, que se adapta às expectativas da sua “clientela” e funciona sete dias por semana, como qualquer comércio.

Para reacender a chama religiosa e atrair novos clientes, as megaigrejas se apresentam como espaços não convencionais, onde os crentes encontrarão uma experiência diferente. Esta mensagem é reforçada pela decoração mais moderna, o mobiliário mais confortável, comodidades similares às de grandes centros comerciais e sermões que falam sobre os problemas do cotidianos. Algumas preferem se apresentar como herdeiras de congregações com raízes profundas no passado, mas renovadas, melhores e, sobretudo, maiores.

Todas compartilham uma identidade que surge da visão exclusiva de seus líderes espirituais, o chamad

o de Deus, a missão divina que receberam. Estas revelações particulares lhes permitem acentuar a distinção diante de igrejas concorrentes e seduzir quem está decepcionado com as denominações mais antigas. É uma espécie de disputa pelas almas que emprega técnicas de marketing usadas em qualquer outro tipo de negócio.

Esta corrida para multiplicar o número de fiéis atraiu as “ovelhas” de igrejas pequenas. O número de presentes nas missas “comuns” caiu dramaticamente na última década segundo o relatório Faith Communities Today de 2015. Cerca de 60% dos templos norte-americanos têm capacidade para menos de cem pessoas. Este público se deslocou para as megaigrejas, que não param de crescer.

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/empres%C3%A1rios-ou-pastores-o-neg%C3%B3cio-lucrativo-das-091228708.html

boriskro

 

O começo daquilo que, afinal, denominamos de fim último

20 de dezembro de 2012 1 comentário

paraiso

“Vera imagem do Pai, seja entronado
Num regaço de bênção, luz da luz
Gerando, seja longe do Céu, posto
No tabernáculo da carne, humano,
Vagando vasto ermo, em toda parte,
Com modo, estado e hábito que expressam-no
Filho de Deus, por diva força ungido,
Vens contra o Tentador do trono pátrio,
Que foi ladrão do Paraíso, e há tempos
Enfrentaste, lançaste Céu abaixo
Com todo seu exército e vingaste
Vencido Adão, venceste a tentação;
Reconquistas perdido Paraíso, que a fraude da conquista tu frustraste…”

(Trechos de Paraíso Reconquistado, de John Milton – Tradução retirado do site http://www.escamandro.wordpress.com)

“A neurose está intimamente ligada ao problema do nosso tempo e representa, na realidade, uma tentativa malograda por parte do indivíduo de resolver o problema geral em sua própria pessoa”. (Carl Gustave Jung)

Somos constantemente acometidos por um medo sutil e sorrateiro que teima em se instalar no porão de nossas almas; construindo suas teias, espalhando sua poeira pelos cantos das portas de nossa percepção; enfraquecendo nosso ânimo em retirar o entulho e todo mofo ali, alojados.

Lançamo-nos num emaranhado de ilusões, ao qual insiste nos fazer pensar que o que temos não é o que precisamos, e o que verdadeiramente precisamos, não é aquilo que realmente devamos prosseguir preservando.

São estes paradoxos que fazem com que percamos nossa verdadeira identidade, nossa essência. Tentamos, por vias artificiais, descobrir quem realmente somos, a que realmente pertencemos, no que realmente acreditamos. Mas, o resultado é a frustração e confusão de espírito. E isso nos torna covardes, fechados a toda e qualquer intensão de resgate. Nos embrenhamos numa selva onde sequer temos conhecimento onde estamos, aonde chegaremos. Caminhamos, tropeçando nas ervas daninhas que se enroscam pegajosamente entre nossas pernas, tirando nossa sensação de mobilidade, lançando-nos ao solo, já encoberto por restos de madeira apodrecida e infrutífera.

Relutamos em continuar; mas o cansaço já faz parte de nossas sensações. Surge o desânimo, acompanhado pelo terror insano e selvagem. Perdemos qualquer sentido de realidade. Há um mundo de trevas soltas à nossa volta; nada amigável, nada que nos lembre a pátria, um dia encoberta e esquecida pelas nossas vãs vaidades.

Há um misto de entenebrecimento dos sentidos em constantes lapsos de um desejo voluptuoso de que haja esperança do outro lado desta matrix involuntária que nos envolve.

Quando já não há mais fôlego para reagir, o que nos resta é apenas nos entregar, nos lançar à potente e persuasiva ruptura do tempo que se chama Eterno. Onde nossas mais humanas e intrínsecas expectações são dilaceradas, excluídas por uma súbita e límpida revelação de que há algo que, indizivelmente pode nos lançar para fora desta selva de trevas chamada ilusão. Onde tudo, subitamente, torna-se claro, límpido e puro. Onde o terreno pantanoso ao qual havíamos sido induzidos é varrido por uma espécie de “ecologia da virtude plena”. Onde “o tudo é possível” se faz presente, mesmo em meio a uma sensação de “não merecimento”. É então restaurada a áurea fina e invisível que nos faz sentir mais achegados ao momento da criação, da pátria onde fomos sensitivamente distanciados e precipitadamente induzidos à fugacidade. Esta pátria, que conhecemos não somente pelo tato, pelo cheiro, pelos sentidos, mas pelo Espírito que testifica algo sublime e infindável dentro de nós. Algo que nos foi gerado desde o prenúncio de nossos dias. Algo não peremptório, mas essencialmente herdado e fixado em nosso âmago, na parte mais íntima de nosso ser.

As trevas são dissipadas, e podemos, afinal, ver nitidamente aquilo que podemos ser, onde podemos nos projetar, em consonância com o Espírito imensamente maior que nós mesmos, que nos atribui abundante vida. Há então um desejo consumador em caminhar na certeza, dentro da Estrada única que nos levará ao porto seguro onde o farol está brilhando continuamente!

Um dia antes do começo de fim… a um amigo anarquista.

(Eder, 20 de dezembro de 2012)

 

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

Errando o Alvo

11 de outubro de 2012 Deixe um comentário

“Então Filipe correu para a carruagem, ouviu o homem lendo o profeta isaías e lhe perguntou: – O Senhor entende o que está lendo? Ele respondeu: – Como posso entender se alguém não me explicar?”

Servindo-me deste maravilhoso texto (Atos 8:26-40), onde podemos observar o quanto somos induzidos a praticar toda sorte de liturgia, ler as Escrituras, mas, sem propósito, sem compreensão genuína e prática, temos diante de nós a responsável tarefa de não somente pregarmos o Evangelho de Jesus Cristo, mas também evitarmos explicitá-lo de maneira rasa e superficial, ocasionando uma geração de curiosos religiosos, mas sem compromisso com o Reino.

A Grande Comissão foi deixada a fim de que ensinássemos o quão verídico e fiel é o testemunho de que Jesus é o Cristo, e que devemos atentar para tudo o que nosso Mestre nos ordenou (Mt 28:19-20).

John Newton dizia que “sua grande tática no evangelismo é quebrar o coração endurecido e curar o coração quebrantado”. Isso denota o afinco com que este pregador anglicano se preocupava com a vida eterna. A Bíblia nos mostra que Jesus Cristo é o pão que desceu do céu, para alimentar a alma humana desnutrida, e que, ao receber este pão, devemos reparti-lo, pois, a vida eterna não é um tesouro o qual devemos guardá-lo, mas sim um presente, que devemos compartilhá-lo.

“O Senhor entende o que está lendo?”, esta foi a pergunta de Filipe. Mas, infelizmente, muitos pregadores são como grandes e sonoros canhões que atiram e erram o alvo. Eles podem fazer um barulho convincente, no entando, se a bala não atingir o alvo, toda a operação terá sido em vão. O pregador pode ter a voz mais poderosa que já se ouviu, pode fazer estremecer o teto, pode dar pulos e saltos no púlpito e pode ser o melhor pregador que já se ouviu desde o livro de Atos. Pode ter um grande ensino sobre a fé em que todos aqueles que ele tocar podem ir ao chão. Entretando, se o pecador sair da reunião sem entender sua necessidade desesperada do perdão de Deus, o pregador terá sido um fracasso. Ele errou o alvo, que é levar o pecador a tomar consciência da necessidade de se arrepender de seus pecados e receber o perdão de Deus. Ouvi um pregador dizer que “o céu não se alegra com decisões. No céu, a festa fica reservada para o momento em que o pecador se arrepende”. Vejo isso como a razão de ser cristão, pois, posso afirmar que existem apenas dois tipos de religiões: uma que tenta chegar ao céu pelos próprios esforços, sacrifícios, realizações, e outra que compreende seu estado de impotência, aceitando o fato de que depende unicamente do Criador para que a seu tempo seja elevada, mesmo sem mérito.

É muito fácil nos desviarmos do Alvo e passarmos a atribuir estas responsabilidades individuais à instituição religiosa à qual pertencemos. Se não estivermos ativamente envolvidos com o chamado ao qual fomos convocados, então todas as outras coisas como construir templos, celebrar cultos, todo o esforço missionário, todo sermão e até a Bíblia não farão qualquer sentido. Uma enorme perda de tempo.

Deus não se tornou carne para fundar outra religião, mas, para abrir um caminho único ao qual somos indescritivelmente aptos para desconstruirmos todo um edifício alicerçado sobre a areia e reconstruirmos outro, alicerçados sobre a Rocha, com firmes fundamentos, cujas medidas são fiéis ao projeto do Grande Criador.

“É por isso que temos tantos crentes ‘cogumelos’. Sua terra pedregosa não foi arada, esta gente não tem a convicção da Lei; as sementes da Palavra caíram em solo pedregoso” (George Whitefield).

Talvez seja esta uma das causas que há igrejas cheias de pessoas vazias.

Pensemos juntamente nisso…

Naquele, que nos fortalece!

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

Um céu para se pensar

6 de outubro de 2012 2 comentários

Nesta manhã, caminhando ao redor do lago, pude, em um dos momentos imaginar como vale a pena refletir sobre o paraíso e todas as coisas inerentes que a Bíblia nos comunica.

Sei que para muitos a idéia possa soar fantasiosa ou utópica, mas, na realidade, há situações, circunstâncias, que nos fazem lembrar de um lugar indescritível, cheio de paz, harmonia e riqueza perene, ou seja, que não se esgota.

Ao caminhar, pude viver um momento quase que indescritível. Eu estava escutando uma linda canção, olhei para o lado onde estava o lago e pude contemplar uma paisagem bela e harmônica, e, no mesmo momento, o vento exalava um odor floral que, associado simultaneamente à música e à linda visão, imaginei então como que poderia ser o paraíso tão almejado por muitos (incluindo eu), mas que muito pouco compreendido.

Há um texto que se encontra no livro de Apocalipse cap. 21, onde é descrita a cidade nova, ou a Nova Jerusalém, lugar onde não haverá mais dor, nem pranto, mas alegria e plena paz, onde o Amor será então a ordem do dia, pois a morte e a noite também não existirão…

Apesar de vivermos em uma “matrix”, onde as circunstâncias tenta roubar toda a imagem criada em nossa alma sobre um lugar de plenitude existencial definitiva e eterna, ainda assim, quando paramos um pouco o vaivém frenético de nossas atividades cotidianas, podemos milagrosamente sentir a proximidade deste lugar ainda não explorado por nós.

É como se tivéssemos que alimentar dois animais dentro de nós: um selvagem, predador, imediatista, impávido e movido pelas necessidades fisiológicas, e outro lúcido, plácido, sereno e esperançoso. E, acredito que na maior parte do dia há alimento somente para o primeiro, enquanto que o último fica aguardando pacientemente como um animal doméstico a hora de nossa chegada para reanimá-lo, alimentá-lo.

Quando menciono esta ilustração, imagino de imediato a passagem de Marta e Maria, no evangelho (Lc 10:38-42), onde o escritor , após descrever sobre a parábola do Bom Samaritano (Lc 10:25-37) dá sequência a este ensino que, a meu ver, tem extrema ligação com o anterior, a saber: às vezes nos achamos em situações semelhantes, invertendo a lógica da instrução do Mestre. Seria muito melhor atentarmos para a precaução de que “há tempo para estar com Jesus e há tempo para servir Jesus”. Não podemos inverter essa sequência, pois assim, estaríamos prestes a fazer tanto, mas com tão pouca convicção de nossa fé, sem direção, sem eficiência para o Reino. Muitas vezes falamos demasiadamente em nossas orações, mas sequer reservamos um tempo para escutá-Lo, para ouvi-Lo falar de coisas infinitas e eternas, de coisas que poderão criar vida plena em nós, um vínculo maravilhosamente amigável, dispondo-nos prazeirosamente executar a vontade Daquele que nos criou para Sua glória!

Quanto à parábola do Bom Samaritano, deprende-se que, em muitas ocasiões, torna-se necessário deixarmos toda a tradição, todos os métodos de deificação de nossa mente, e responder à voz que teima clamar em nossa alma, deixando de lado toda liturgia e religiosidade metódica e caminharmos forasteiramente em busca de lugares nunca antes percorridos, semeando a boa semente em solos que não nos pertence, mas que acreditamos um dia servirá como uma obra de arte à qual será contemplada pelo “dono da ceara”, o pintor e artista por excelência.

Para findar essa minha experiência, venho dizer o que li em algum livro ou vi em algum filme: “o céu não se alegra com decisões. No céu, a festa fica reservada para o momento em que o pecador se arrepende”. E que, “um único coração inteiro, é um coração partido”.

Naquele, que nos fortalece…

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!
Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

PETRA 40’ERS – THE POWER OF JESUS IN R’N’R

18 de setembro de 2012 3 comentários

Quem foi que disse que o Rock ‘n Roll, por ser forte, vigoroso e visceral tem obrigatoriamente que ser amargo e mau, com seus bad boys (ou girs)?

Aceito o lema, mas não as conceitualizações. Sempre ouvi que o rock esta ligado à violência, à marginalidade, à sujeira cultural, rebeldia, subversão, entre outros quadros. Mas, não podemos dar nome aos bois, sem antes conhecer a fundo seu cotidiano.

Sou um apaixonado pelo estilo de música desde os meus 10 anos, e já tentei admitir o contrário, quando me desfiz de minha coleção de 1.531 Lps (discos de vinil). Mas, o espírito outsider roqueiro está na alma e não na mídia (material fonográfico, os discos).

Sempre pude acompanhar as notícias do mundo da música rock ao longo desse tempo, e, mesmo tendo a oportunidade de participar de poucos shows / festivais, como alguns espetáculos na pedreira (Close Up Planet Festival, Ruffles Reggae 1ª e 2ª edições, Ramones, Iron, Angra e Motorhead; AC/DC, etc); na Arena (Ruffles Reggae 3ª edição); Associação Banestado em Praia de Leste (Raimundos com Rodolfo); ainda não tinha realizado meu rock ‘n roll dream (sonho de rock ‘n roll) como diz o Bad Company em uma de suas músicas. Mas, neste último fim de semana, em um sábado que tinha tudo para ser um dia comum, minha irmã Ednanda me ligou fazendo-me um convite imperdível, ou seja, ir ao show comemorativo dos 40 anos do PETRA.

  

(Da esquerda para direita: Andreia, Filipe, Elisa, Eder, Sarah, Ana Paula, Ednanda)

Pois bem, fui com minha esposa, os queridos sobrinhos, a maninha e um queridão, o Felipe Wolf. Chegamos por volta das 20:30, e já havia tocado uma banda de abertura (o Efrata). Ainda tinha mais duas bandas (o Maestah e o Metápolis) excelentes bandas gospel de White Metal de Curitiba, com estilos diferentes, mas qualidades musicais dignas de abrir um show desse naipe!

Exploramos todos os ambientes do Master Hall (exceto o palco, é claro). E, então, chegou a hora do PETRA subir. A galera gritava muito, aplaudindo e cantando junto com a banda. O início foi muito eletrizante, com algumas declarações do vocalista John Schllit, tendo intérprete para que a mensagem chegasse a todos os presentes. Sempre, nos momentos contagiantes das canções, John Schllit canalizava a exaltação e glória “to the Lord”. Estávamos todos bem na primeira fileira do palco, local muitíssimo privilegiado, podendo receber todo carisma e carinho da banda para com a platéia. A organização do evento foi “de responsa”, não houve tumulto, confusão ou sequer algum contratempo, perfect mesmo!

Na outra metade do show ficamos no andar de cima, e pude observar toda a energia da banda e sincronia dos músicos consigo mesmos, e da plateia com a banda…

Tocaram sua canções, como a rara “beat the system”, o petardo “I waited for the Lord on high”, as eletrizantes “Somebodys gonna praise His name” e “All fired up” mas também canções clássicas de hinário antigas como “Amazing Grace” e “How great thou art”, moldadas a um vocal afinadíssimo, da les paul freneticamente eletrizante de Bob Hartman, do baixo pulsante e condutor de Greg Bailey, e da batera fornecendo toda a base jovial da banda, com o novo integrante, o argentino Cristian Borneo. O set fechou com “He came, He saw, He conquered”.

Eu já sabia que não seria a mesma coisa a partir daquele dia, me segurei mesmo pra não extravasar, descarregar todo meu r ‘n r dream ali mesmo… Não sou de tietagem, mas, a alegria era muita, tirei algumas fotos bem pertinho do palco, queria muito tirar uma foto com a banda, mas não deu mesmo, havia muita gente de fora, de outros estados, que viajaram de longe pra isso (RS, CE, SE, SC, MG, SP, RJ, ES, etc). Então não achei digno de minha parte aproveitar da situação. Meu rock n roll dream já estava consumado. Pude sentir a alegria contagiante da banda, a simpatia para com o público, o carinho sincero, pois, com toda certeza não consegui encontrar estrelismo ou falsidade nas atitudes e palavras do vocalista John Schllit e dos demais integrantes. Muito carisma mesmo! Tinha visto o mesmo carisma da noite de autógrafos do NAZARETH em Curitiba, há alguns meses, mas, com o PETRA, foi muito nobre!

Ali havia energia visceral marcante na música, mas também havia doçura, simplicidade e sinceridade! Não sou bom nas palavras, pois me falta a crítica jornalística imparcial e competente para comentar sobre um evento dessa magnitude. Mas, minhas palavras são a expressão de minha alma.

Para completar a noite, quando estávamos saindo do show, encontramos uma galera muito animada, que nos pediu para leva-los para o hotel, no centro de Curitiba. Tinha gente de muitos estados do país, mas, ali para nós não havia fronteiras ou barreiras culturais. Conversamos como se já tivéssemos nos conhecido há muito tempo!

Trazendo para o lado sociológico, acredito que a música é uma ferramenta de transformação social, e também de potencialização na criação de identidade social, que, neste caso, denotava o “uivo pulsante de uma geração que não compactua com o relativismo, imoralidade e corrupção” que teima permanecer alojada no (in) consciente coletivo aqui no nosso país!

Fica aqui minha sincera gratidão a Deus, por ter me privilegiado desta ocasião, minha esposa e companheira Andréia (sem palavras…), ao meu cunhado Paulo Cesar, minha irmã Ednanda, sobrinhas Elisa e Sarah, ao Felipe, sua irmã a jornalista Sandra Terena, o organizador e jornalista Oswaldo Eustáquio e as bandas. O que ficou foi um gostinho de quero mais, depois da promessa de que ano que vem teremos mais PETRA acompanhado de STRYPER e PRIDE!

O PETRA é o outsider do rock’n roll, desvinculando a idéia de que o rock, por regra, tem que ser mau e sujo; derrubando as barreiras e fronteiras, trazendo uma mensagem de reconstrução, edificação, seguindo como agente transformador, e apontando o caminho para a sociedade ora alienada e desesperançada. Long live Rock ‘n Roll!

Set list das músicas:

01 – Beat the System 02 – Dance 03 – I Waited for the Lord on High / Ancient of Days 04 – Amazing Grace 05 – Creed / Judas Kiss 06 – Right Place 07 – How Great thou art 08 – Somebody´s Gonna Praise His Name / All Fired Up 09 – Rock Medley: Sight Unseen / It is finished / Think Twice / I am on the Rock / Midnight Oil / Mine Field / This means War / It is finished (reprise) 10 – Jekyll & Hide 11 – Just Reach Out 12 – Beyond Belief 13 – Bob Solo 14 – Lord I Lift Your Name on High 15 – All about who you know 16 – He Came, He Saw, He Conquered

 

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

Fruto Sagrado – O que na verdade somos

18 de setembro de 2012 2 comentários

Deixo aqui esssa canção para que reflitamos mas sobre quem realmente somos…

O Que Na Verdade Somos

Não há mais segredos pra esconder

Por que complicar a verdade?

Que adianta apontar o caminho

E seguir outra direção?

Quando mundo tenta nos enxergar,

Será que vê o que realmente somos?

Pra falar do amor

Tenho que aprender a repartir o pão

Chorar com os que choram

Me alegrar com os que cantam

Senão ninguém vai me ouvir…

Se a verdade é tão simples, onde erramos?

Ou o que deixamos de fazer?

Se não há mais segredos,

Por que complicamos?

Poucos entendem a verdade!

Pra fazer diferença não basta ser diferente

De que modo eu mudo a história?

Com discurso ou com ação?

Pra falar do amor,

tenho que aprender a repartir o pão

Chorar com os que choram

Me alegrar com os que cantam

Ninguém vai me ouvir sem amor…

O que na verdade somos?

O que você vê quando me vê?

Se o mundo ainda é mau

O culpado está diante do espelho!

O que na verdade somos?

O que você vê quando me vê?

Pra que serve a luz que não acende?

Não ilumina a escuridão

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

George Fox, o outsider

18 de setembro de 2012 2 comentários

Recortei aqui um trecho do livro de Colin Wilson para mostrar mais algumas das características do Outsider.

 “Como todos os Outsiders, Fox queria ser compreendido, queria alguém que olhasse dentro de sua alma e que, como um bálsamo, pusesse as coisas em ordem. E, como todos os Outsiders, teve de aprender a resolver sozinho o problema da sua salvação. É a lição mais difícil de todas, a de que há um inimigo último que cada homem e mulher carrega dentro de si e que não pode ser combatido por procuração. A doutrina da Reparação foi inventada para tornar menos terrível esta verdade: o derradeiro inimigo interior, contra o qual não se pode recorrer à ajuda externa. Todos os santos e mestres religiosos fizeram do reconhecimento dete inimigo derradeiro o fundamento de suas doutrinas. Muitos grandes mestres espirituais deixaram relatos de suas “lutas em busca da luz”. As características da luta são muitas vezes iguais às caractarísticas de “um dia comum” descrito pelo Lobo da Estepe: fracasso, monotonia, embotamento dos sentidos, falta de senso de urgência que freqüentemente resultam, depois de longo esforço, em uma distensão súbita, em uma intensidade de emoção.”

“…Então o Senhor me fez ver por que não havia ninguém na terra capaz de entender minha situação: era para que eu pudesse lhe dar toda a glória; pois todos são concluídos no pecado e encerrados na descrença como eu tinha sido, para que Jesus Cristo pudesse ter toda a preeminência…”

“E vi montanhas em chamas e os refugos, e os lugares e caminhos acidentados e tortuosos aplainados e endireitados para que o Senhor pudesse entrar em seu tabernáculo. Essas coisas podem ser encontradas no coração do homem…”

“E vi professores e padres e pessoas completamente à vontade neste estado que me afligia, e eles apreciavam aquilo de que eu gostaria de me ver livre… suas mentes são escravas. E eles são inseguros e instáveis, e jogados de lá para cá ao sabor de vãs doutrinas e opiniões…”

 (trechos retirados do livro ” O Outsider”, pgs. 210-214)

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

Sociologia das prisões

18 de setembro de 2012 Deixe um comentário

Aproveitando a correnteza que nos levará aos derradeiros 3 últimos sábados de nossa especialização, módulo que falará sobre Violência e Cidadania, busquei trazer algo interessante sobre os temas em questão; mas, esbarrando em um vídeo clipe, não pude deixar de refletir e, consequentemente não me restou outro desejo a não ser sair um pouco para fora da teoria. Fui impactado pelo efeito prático contido em cenas “desumanas” dos presídios, bem como a realidade social que faz com que a violência tenha a tendência de se multiplicar, ao passo que não há significantes atitudes políticas quanto à reformas no “sistema punitivo” no Brasil.

Li algumas páginas do famoso livro do Foucault (Vigiar e Punir), mas, apesar de ser uma excelente investigação acerca da evolução e modalidades de formas de punição, ainda ficam lacunas de modo que sempre vamos nos deparar com uma realidade bruta, incompreensivelmente predestinada a reproduzir o condicionamento à violência independentemente de haver ou não sistema punitivo à altura dos altos índices de criminalidade. Acontece-me expor este vídeo para que seja manifestado em nossas mentes e corações o que se passa do “outro lado” das paredes que dividem nossa pseudo-liberdade, como diria Thoreau na sua obra Desobediência Civil, ao deparar-se com uma sociedade que caminhava à beira da alienação em busca de expansão econômica, mas presa a um novo sistema de “escravidão voluntária”.

Embora este vídeo não se traduza em uma fonte teórica de análise socio-política da violência nos centros urbanos de nosso país, ele me leva a pensar em uma esfera “supra-real” e/ou espiritual de modo a apresentar uma saída para as nossas misérias!

Como bem frisou minha amada esposa: “…enquanto alguns artistas gravam nas sua mansões, outros preferem dedicar sua voz às prisões”.

Vejam e comentem, se acharem conveniente.

 

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!
Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

Cristo de madeira

18 de setembro de 2012 Deixe um comentário

Em algumas ocasiões quando adentro algum templo de oração, me deparo com esta frase: “Bem vindos à casa de Deus”. Não consigo concordar com esta frase. Arrisco-me aqui a interpretar que este vive um cristianismo de madeira ou de concreto; que só encontra a amizade, a paz, a generosidade aos sábados e domingos à noite. Não consegue enxergar que a morada de Deus é no seu dia a dia, na sua alma, habitat perfeito e incorruptível construído por Jesus Cristo há dois séculos. Vive-se nos templos uma contextualização cronicamente inviável ao cristianismo bíblico. Diga-se de passagem, muito se clama lá dos nossos púlpitos frases sepulcrais vindas do mais profundo, do sarcófago de nossas almas, clamando, “sentados na praça: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes…” (Lc 7:32).

Imagino: que bons tempos aqueles que ainda se dizia: “Voz do que clama no deserto”, pois hoje, nem mesmo aquele que se dizia ter o espírito do profeta Elias nos exortasse, jamais seria ouvido por muitos desses que se assentam nesses lugares.

Há uma sociedade cansada de ser dominada por governos corruptos, mal intencionados; por sistemas de crenças que só fazem acrescentar dor, medo, pânico, repreensão, humilhação e menosprezo…e, se não bastasse isso, ainda acrescentados a esses ingredientes, uma pitadinha de auto-afirmação de benevolência, enchendo de fábulas a consciência já entorpecida dos que os aplaudem, iludidos em suas vãs esperanças.

Não só me refiro à corrupção por parte daqueles que roubam o dinheiro para o benefício próprio, mas àqueles que, com cinismo disfarçado de “justiça divina” roubam o tempo das pessoas que, com boa intenção nos corações, vão em busca de algo que lhes traga um refrigério na alma; mas são enganadas, mentalmente corrompidas.

Se nos intitulamos “espirituais”, porque ficamos a divagar sobre “picuinhas”, tentando transformar todos em mercadoria barata? Se realmente acreditamos que somos cristãos, porque não alimentamos um pouco do corpo, muito da alma e muitíssimo das coisas lá do alto? Porque permanecermos então num dilema agostiniano, tentando massacrar a alma, oferecendo sacrifícios tolos, de modo a adiar a sublimação da existência, torturando o coração e os sentimentos, enganando a própria consciência, crendo que o verdadeiro prazer consiste em torturar a alma? Onde será que chegaremos com tamanha demagogia?

Enquanto que nas praças desfilam o infortúnio das almas penadas, de espíritos impotentes, vivendo a embriaguez da razão, do sentimento; seres que já não mais buscam respostas, já desperdiçaram o último fôlego da esperança, apenas vivem as intempéries do dia a dia. Enquanto que as instituições ostentam a sua “onipotência”, seu discurso de pseudo-justiça, onde a fidelidade a Deus se baseia na construção de mais uma torre de Babel, de modo a erguer um estandarte absurdo da verticalidade egoísta, baseada no embrutecimento do sentimento de misericórdia aos fracos, aos menores, aos vagantes solitários… Pergunto: onde se escondeu a justiça dos santos? Onde queremos chegar com tamanha hipocrisia? Será mesmo necessária a força da persuasão para rasgarmos o véu que encobre nossa percepção da graça do Cristo Vivo? Será então necessário pregarmos palavras intangíveis aos quatro ventos, numa “sociedade do espetáculo”, como diria Guy Debord? Faltam-nos apenas a resposta! Quem realmente somos? Quem seremos então neste espetáculo das vaidades desumanas? Somos mais felizes que aqueles que viveram tempos antigos, sem tecnologia, sem impressionantes adereços, sem requintes?

Derrubam-se os altares, instituem-se então os púlpitos (arquitetônica visibilidade). Adora-se o Grande discurso do demagogo; esforça-se para comprar o bilhete do Grande Espetáculo, o espetáculo do sucesso que apregoa o domínio de homens para com outros homens, vivendo enchafurdados numa viciosa demagogia que o “penso logo existo” já não existe mais, transferindo-se para o sinto, logo existo; intoxicando a razão, roubando a essência do senso de solidariedade da raça, transformando-nos em protótipos de “big Brothers” (não o da Rede Globo, mas o de George Orwell).

Este espírito dos nossos tempos é realmente perspicaz e astuto. Será que venceremos as ilusões de nossas consciências? Até quando nos sentiremos seguros em nosso próprio mundo egocêntrico e mesquinho? Até onde gostaríamos de chegar nas nossas débeis e vãs construções de vanglórias?  Até quando ficaremos desenhando inimigos imaginários, sem saber que o inimigo, nas muitas vezes, somos nós próprios? Realmente é hora de descermos um pouco, de não mais propagarmos a uniformidade, mas sim o respeito; de não mais julgarmos a humanidade, mas sim as nossas próprias misérias, nosso sacrifício sem lógica, sem consciência. Deus não se deixa enganar, ele conhece todos os pormenores dos nossos sentimentos. Enquanto se propaga um clamor pelo avivamento, eu aqui clamo pelo despertamento! A nossa fala que não se traduz em ação, empobrece-nos em todos os sentidos. Acordemos do nosso transe voluntário; enxergar o próximo não como um instinto judaizante e exclusivista, mas sentir as diferenças, amar a essência de cada ser, sairmos desse baile à fantasia, tirarmos a máscara de nosso partidarismo astuto, abdicarmos de nossa guerra santa, descermos para ver o que há no subsolo desta torre de vigia que construímos para fantasiar a falsa segurança de nossas parcas precauções.

Martin Luther King Jr., pastor batista, ícone de uma geração, assim refletiu: “<em>Em decepção profunda, chorei pela frouxidão da igreja. Houve um tempo em que a igreja era bastante poderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termômetro que registrava as idéias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade. Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem “perturbadores da paz” e “forasteiros agitadores</em>” (por forasteiros entendam “outsiders” – grifo meu). <em>Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram “uma colônia do céu”, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram intoxicados demais por Deus para serem “astronomicamente intimidados”. Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto. Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são. Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado…</em>”

Trechos da *Carta de uma prisão em Birmingham*

E, no fim das constas, a mesma velha indagação voltará à tona: Será que existe alguma dignidade no pó e nas cinzas?

Precisamos urgentemente tirar esse sorriso amarelo de nossos rostos, voltarmos ao mundo real, encurtarmos a distância de uma consciência de nossas fraquezas e ouvir o que o Espírito diz à igreja (…)

Tudo isso porque “… <em>virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas</em>”. (2 Timóteo 4.4).

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

Poder, dinheiro e sexo: o PÔgréÇo nosso de cada dia!

11 de setembro de 2012 1 comentário

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?

(E agora, José, Carlos Drummond de Andrade)

Tão divinamente inspirado, mas não menos diabroticamente falando, dirijo-me a você, cidadão dotado de um senso religioso tal que, me faz sentir tão profundamente condenável, ao passo que lhes digo: poderá, então, o Criador fazer-vos algum favor que lhes satisfaça vosso desejo de justiça?

Mas, deixando a justiça de lado, e partindo para a desconstrução de um otimismo àquem da realidade, vamos falar um pouco de progresso, já que, passados 11 anos do fatídico e lamentável atentado ao WTC, o que vemos hoje é uma progressiva decadência nas diversas esferas da natureza humana.

Já ouvi falar que o homem progrediu na sua curta (ou longa) história. Há uma outra interpretação de que a humanidade caminha com passos de formiga e sem vontade, que, ao meu ver, também tenta se amparar, mesmo que um tanto ceticamente, a tese de algum progresso do homem.

Mas, o que quero apresentar aqui é justamente o contrário desta teorização, ou seja, o argumento de que nunca houve, não há e não haverá progresso nenhum por parte do ser humano, que, de humano, só tem a terminologia, mas não a essência deste termo.

Ainda cometemos os mesmos delitos os quais são apontados pelos livros mais antigos, os oráculos da história. Ainda há sangue sendo derramado no arraial da odisseia terrestre. A terra ainda está coalhada, encoberta por esta crosta de sangue inocente (?) derramado, e não há quem possa removê-lo, nem um justo sequer. Todos nós enxergamos como que míopes, através de uma lente suja e sombria. Ainda falta discernimento em nosso espírito; pois, desprezamos o conselho da Sabedoria, nos apegando à nossa própria roupagem empoeirada de falsa e insuficiente justiça.

Comemoramos ainda uma independência. Mas, pergunto: independência de quê? Somos dependentes eternos, e, as muitas poucas vezes que nos é dado alguma liberdade, utilizamo-la para provar que somos melhor a algo ou alguém. Então, nesta necessidade de se provar algo a alguém, tornamo-nos novamente dependentes. Dependentes de um discurso, de um simulacro ou de uma simulação. A matrix sempre é a mesma, e a alienação torna-se o combustível de nossas trivialidades…desfocando, assim, o essencial, o substancial.

Ainda assistimos, maravilhados, a falsos discursos de moralidade mesquinha, e a desfiles fétidos de vaidade egocêntrica dos zumbis famosos!

Há um cheiro de enxofre pairando no ar, e não sabemos em quem será derramado. E sequer nos interessamos sobre o assunto. Ficamos mórbidos esperando nossa decomposição, arrastando-nos, contorcendo-nos como cobras pelo chão, procurando a quem morder o calcanhar; nossa alma, atônita se agita, como cães girando sem parar, tentando morder o próprio rabo em busca de um suposto parasita.

E, assim caminha a humanidade, em sua vaidade frenética, descompassada e em decomposição, e nós aqui, caminhando contra o vento, tentando cobrir nossos olhos da tempestade de areia que teima a nos afrontar, a nos fazer olhar em outra direção!

Peço desculpas aos esperançosos de plantão pelo meu ceticismo ácido e nítida irritação. Me desculpem não saber dançar a dança da chuva, a dança pélvica do rock’n roll convincente e fantástico. Meu ritmo é tosco e negro. Minha dança é um blues lamentoso e hostil, é um jazz vomitado e verborrágico; é um heavy love pesado, sangrento e irritante. Ainda falta a sincronia para dançar a vossa dança, para cantar o vosso rockbilly roll, para falar das suas fábulas. Ainda me falta o bom senso respeitador de todo discurso entorpecente e venerável, propício às conveniências adequadamente sugestionáveis. Me desculpem por não entrar no ritmo romântico, progressivamente educado, bondoso e elegante.

Ainda não compreendo o caminhar da carruagem, ainda tenho os pés descalços e o ceticismo me consome, em busca de um final apocalíptico messiânico. Que o final seja menos dolorido que o meu sonho trágico e angustiante!

(Eder, escrito em 7/09/2012)

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

À CAMINHO DO EU-PURO

29 de agosto de 2012 Deixe um comentário

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Aqueles que acreditam que crêem em Deus, mas sem paixão em seu coração, sem angústia mental, sem incertezas, sem dúvidas, e às vezes até mesmo sem desespero, crêem apenas na idéia de Deus, mas não no próprio Deus.” (Miguel de Unanuno, 1864-1937, do livro O Sentido Trágico da Vida nos Homens e nas Nações).

Mitos de salvação surgem da experiência humana de circunstâncias extremas. A esperança de redenção reside no caminho da Cruz; e o caminho da Cruz não dá prioridades na realização dos desejos naturais de ninguém!

O abismo que há entre o Cristianismo moderno e a espiritualidade da Bíblia pode ser visto também no nosso seletivo uso dos Salmos, que não apenas refletem toda a experiência humana (por exemplo confusão, raiva, medo, ansiedade, depressão, alegria incontida), mas eles nos forçam a parar de fingir que tudo esteja bem conosco, com a igreja, com o grupo de amigos, colegas de serviço, família entre outros. São atos de uma fé corajosa: corajosa, porque eles insistem em que temos que enfrentar o mundo como ele é, e que temos que abandonar toda a ostentação infantil; mas também de fé, porque eles partem da convicção de que não existe assunto proibido, quando se trata de termos uma conversa com Deus.

O que é irônico é que a vida moderna se traduz em momentos de maior dificuldade, confusão, roubo das peculiaridades individuais do que o contexto em que vivia o salmista. Não é de se admirar que muito do ensino atual quanto à fé não seja diferente do “pensamento positivo” dos gurus modernos da administração, conquanto vestido com uma roupagem pseudobíblica. A fé bíblica, entretanto, é exatamente o contrário…

A partir de então, o comportamento religioso tem se tornado uma negação à realidade. Criamos deuses a partir do redemoinho de nossos desejos e ansiedades interiores. Em seu âmago, há um processo apelando para a realização de desejos.

Marx viu Deus funcionando para os crentes religiosos como um comprimido enorme contra a dor (o equivalente moderno do seu ópio), para Freud ele oscilava entre um gigante ursinho de pelúcia e um despótico diretor de escola. Esses dois homens viram-se como protagonistas de uma nova era de libertação através da ciência, embora Freud veio a tornar-se cada vez mais pessimista em relação ao futuro da humanidade por viver até a Grande Guerra e a era nazista.

Ambos consideraram a religião como um obstáculo ao seu programa de libertação humana, porque ela ocultava as origens das causas das aflições humanas.

O que é notável é que, em cada um dos casos, a tradição profética da Bíblia parece ter sido a motivação inconsciente para as tentativas deles de transformar a consciência humana. A crença num destino mais elevado para a humanidade, o conceito da alienação humana, a noção (em Marx) de haver propósito na história e o triunfo final da justiça… Tudo isso são reminiscências de uma cultura que, em algum momento, se achava profundamente influenciada por uma visão bíblica do mundo, por mais que tal cultura possa ter negado na prática essa visão (modernidade). Assim, Marx se utilizou do argumento de Feuerbach crendo que a crítica à religião é o fundamento para toda crítica social, de modo a pôr luz sob toda e qualquer possibilidade de inversão de valores sociais causados pela religião. Feuerbach dizia que: Para enriquecer a Deus, o homem tem que se tornar pobre; para que Deus seja tudo, o homem tem que ser nada.”

Nós nunca compreenderemos Marx se não considerarmos que ele foi criado num ambiente judaico-cristão, e que isso influi no que ele fala.  A sua paixão por expor cada forma de mal social, e por libertar os homens das cadeias da opressão religiosa é a paixão de um profeta do Antigo Testamento. A sua visão é ética, os seus valores frequentemente são, mesmo de forma inconsciente para ele, bíblicos. A característica linguagem de “alienação”, “redenção humana”, “Novo Homem”, e assim por diante, é tomada diretamente da teologia cristã.

Ainda vale o que diz as Escrituras: “A verdadeira religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1:27).

“A união com Cristo consiste na mais íntima comunicação com ele, tendo-o diante de nossos olhos e em nosso coração, e sendo assim tomados pelo mais elevado amor por ele, ao mesmo tempo em que voltamos o nosso coração aos nossos irmãos, com os quais ele nos ligou, e por qeum ele também se sacrificou…” (Karl Marx, aos 17 anos de idade, no ensaio: A união dos crentes com Cristo de acordo com João 15:1 – 14).

Marx, nesse ensaio, tomou também como base o que um dos pais da igreja, João Crisóstomo (c. de 377-407) corajosamente argumentou aos nobres de Milão:

Isso também é roubo, não dar aos outros o que se possui. Talvez esta afirmativa soe surpreendente para você, mas não se surpreenda… Assim como um oficial no tesouro estatal, se ele negligencia em distribuir para quem lhe tenha sido ordenado, mas retém para si por sua própria indolência, tem que sofrer a pena, sendo posto à morte, da mesma forma o rico é como um mordomo do dinheiro que possui para ser distribuído aos pobres. Ele é dirigido a distribuí-lo a seus servos que estejam em necessidade. Desse modo, se ele gastar consigo mesmo mais do que sejam suas necessidades, ele terá que pagar a mais dura pena depois. Pois os seus bens não são propriedade sua, mas pertencem a seus servos… Rogo que você se lembre disso sem falta, que não compartilhar os bens com os pobres é roubar os pobres e privá-los de seu meio de vida; nós não possuímos nossos bens, mas sim os deles. (João Crisóstomo, Sobre a Riqueza e a Pobreza).

Semelhantemente o grande Pai da Capadócia, Basílio da Cesaréia (c. de 329 – c. de 379) repreendeu cristãos que eram ricos com uma linguagem que é ouvida com maior frequencia nos piquetes das fábricas do que em templos religiosos: “O pão que você guarda consigo pertence ao faminto; o agasalho que você deixa dentro do seu armário, ao desnudo; os sapatos que você possui e que estão apodrecendo, ao que está descalço; o ouro que você tem muito bem guardado, ao necessitado. Portanto, todas as vezes em qeu você teve condições de ajudar alguém, e recusou-se a isso, você então lhes fez um mal. (Basílio da Cesaréia, em discurso proferido em Ávila).

C. S. Lewis foi muito feliz em seu comentário: “Fale comigo sobre a verdade da religião, e vou ouvi-lo com alegria. Fale comigo sobre o dever que a religião impõe, e vou ouvi-lo com submissão. Mas não me venha falar sobre as consolações da religião que vou achar que você está por fora.” (C. S. Lewis, em Um Pesar Observado).

Penso que, quando nos é ofertado o direito e o deleite de falar ao próximo, devemos falar como que escutando o que o coração do próximo tem realmente o que escutar, ou seja, focar o que o próximo necessita e não o que o nosso ego tem a dizer, viciosamente.

Há um entorpecimento por parte de muitos que pensam proclamar a verdade, mas que, em paradoxo, proclamam simplesmente o que querem que sua presunção tem a persuadir.

Creio que a grande luta de Sócrates, na Grécia Antiga, tenha sido justamente contra os sofistas, e aqueles que tinham por princípio comercializar o conhecimento, persuadindo os homens a comprar suas idéias, mesmo que despojadas de sabedoria. Pois a sabedoria nada mais é do que o conhecimento compartilhado, e útil para a edificação e construção do pensamento.

Hoje, quase que involuntariamente, recebemos através da tecnologia (internet), um turbilhão de mensagens, através de textos, imagens, sons, etc; mas, há muito lixo informacional no meio desta aldeia. Muito pouco se aproveita. Faz-se necessário selecionar aquilo que recebemos. Há conhecimento, mas muito pouca utilização deste, muito pouco proveito, portanto, não é sabedoria aplicada. Isso eu aprendi muito bem quando cursava Gestão da Informação.

Tudo o que é proveniente de algum proveito unilateral, tenho por “proselitismo”, ao passo que, quando nos desprendemos, nos comovemos com uma interatividade, onde há compartilhamento de experiências e idéias, há ali portanto, produção do saber.

“O vácuo criado pela perda da criação artística e da experiência responsiva é preenchido ultimamente no mundo moderno. O secundário tornou-se o nosso narcótico. A humanidade alfabetizada é assolada diariamente por milhões de palavras impressas, transmitidas pelo rádio e vistas nas telas de TV com respeito a livros que ela nunca vai abrir, sobre músicas que não vai ouvir, sobre obras de arte que nunca vai contemplar. Um zumbido perpétuo de comentários estéticos, de julgamentos precipitados, de expressões pomposas pré-fabricadas preenche todo o ar. Presumivelmente, a maior parte de toda fala artística ou reportagem literária é apenas lida por alto e não propriamente lida, é ouvida, mas sem se prestar a atenção… Como sonâmbulos, somos guardados pelo sussurro entorpecente do jornalístico, do teórico, em relação ao frequentemente estridente e imperioso fulgor de uma completa presença” (STEINER diz no livro: Presenças Reais: Há Alguma Coisa no Que Dizemos?)

Quando o assunto é a Beleza da Soberania e Sabedoria divina, a coisa fica um tanto mais confusa, para alguns. Estes imaginam um Deus a serviço da criação, um deus de saia como diria CAZUZA na música Cobaias de Deus; um Deus em serviços domésticos a um sistema corrompido por causa de nosso próprios interesses unilaterais e por nossa própria permissão e responsabilidades.

O sofrimento cristaliza, como nada mais, os dilemas e os pesadelos de uma vida sem Deus. É um nervo inflamado que, se tocado, desperta uivos de raiva e angústia, especialmente hoje em dia. Certamente, quando podemos ir até a lua, apesar de acreditar ser uma farsa, e andar através do espaço com uma velocidade incrível; quando nossos órgãos são transplantáveis; quando temos como comer sem engordar, copular sem procriar, dar um brilhante sorriso sem estar feliz; certamente o sofrimento deveria ter sido banido de nossa vida. Ter que continuar a sofrer, e ver outros sofrendo, isso para nós é uma afronta; e a divindade que, tendo o poder de interromper o sofrimento, ainda permite que continue, teria que ser um monstro, não um Deus amoroso. Como que se, quando um equipamento emperra e fica com defeito, nós o odiamos totalmente, e procuramos pelo fabricante ou o mecânico para xingar. Aos olhos daqueles que vêem os homens como máquinas, Deus é o fabricante, e o mecânico é o seu sacerdote.” (adaptado de M. Muggeridge, em Algo Belo para Deus).

Como muito bem disse o teólogo e filósofo Emil Brunner no seu artigo “O homem revoltado”: Em cada civilização, em cada período da história, é verdade dizer: Mostrem-me o tipo de deus que vocês têm, e eu lhes direi que tipo de humanidade vocês possuem.

Com a finalidade de ressaltar mais ainda este pensamento, recorro ao que disse o jovem poeta inglês Thomas Thraherne (1637-1674): – “até que o mar flua em suas veias, até que você se revista dos céus, e seja coroado com as estrelas; e perceba que você é o único herdeiro de todo o mundo; e, mais do que isso, porque todos os homens são igualmente esse único herdeiro, tal como você. Você não poderá usufruir do mundo até que você cante e alegre-se e tenha o prazer em DEUS, tal como os avarentos se alegram com o ouro, e os reis com o cetro.” Esse pensamento traduz o fato de que esse conhecimento de Deus que temos, impeça-nos de tanto decairmos para a adoração do mundo em si como de denegri-lo e explorá-lo para nossos próprios fins egoístas, como o fazem os religiosos proselitistas, empresários ultra-capitalistas, governantes ambiciosos cujas mentes já foram entorpecidas pelo poder, etc.

Devemos ter em mente que não foram os pecadores, mas os “religiosos” e os “donos do poder” que rejeitaram o Salvador. Assim, o escritor bíblico diz que “saiamos, pois a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério. Na verdade, não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir” (Epístola aos Hebreus 13:13-14). Os discípulos de Jesus são chamados para ir lá onde Jesus já está: descartado pela religião. Eles têm que compartilhar da sua “desgraça”, o escárnio e o ódio que toda comunidade religiosa antiga dirige àqueles que ousam dizer que a devoção e a tradição nos podem separar de Deus e que os não religiosos podem estar mais perto do reino de Deus do que os “justos” (cf. Rm 4:5; Lc 18:9-14). Esse ir para o lado de fora é uma figura da conversão cristã, ou seja, é a conversão de qualquer forma de religiosidade para Cristo, unicamente. Não é a conversão para uma religião melhor, mas um encontro pessoal e constante com o Redentor, conforme o que Jó expressa no capítulo 42.

Há muito tempo atrás, um homem de conduta religiosa permitiu-se descontruir todos os rudimentos e falsa espiritualidade enxertados nele através de uma sociedade hipócrita e de barganhas, dizendo assim: “Bem sei qeu tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado… Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza (livro de Jó 42:2, 5-6)

Ali houve uma ruptura entre o eu-si e o eu-nós, enxergando o todo Naquele em que tudo e a todos criou. Foi o que Bakunin tentou ressaltar nos seus ensaios, foi o que Zamyathin traduziu na sua ilustre e inédita obra “Nós”. Foi o que tantos outsiders (o pregador George Fox, Walt Whitman, David Henry Thoreau, o visionário T.S. Eliot, Dostoyevsky, Pasternak, Burgess, poetas e escritores da geração beat entre outros) tentaram expressar à humanidade, com seus uivos eletrizantes a uma geração monotonamente e confortavelmente hipócrita, perversa, dominadora , imperialista, e cujas consciências estavam entorpecidas, entranhadas em seus vãos deleites, enxertados no “american way of life”.

É próprio do imperialismo laçar seus tentáculos para além de seus domínios, um movimento a um só tempo de expansão e dependência. Representa, ao nível comunitário, o protótipo da exploração do homem pelo homem. A tentativa em reconquistar o domínio perdido, entregue ao adversário, no Jardim do Eden. E o outsider vê esta tragédia por outros ângulos, busca outra essência, outro raciocínio, outra visão.

A expansão imperialista não é, portanto, uma expansão qualquer. Realiza-se sempre às expensas de alguma vítima. Esta última trabalha e produz mais do que recebe, revertendo parte dos seus esforços em proveito do imperialista sem uma justa contrapartida. O imperialista é, pois, aquele que se apropria de mais do que ele produz – e é nisto que consiste a sua expansão – enquanto sua vítima colonizada é aquela que se apropria de menos do que ela própria produz.

O ócio remunerado pelo trabalho alheio, o sentimento de superioridade narcisista face àqueles que coloniza, tudo isto faz surgir entre imperialista e colonizado um vínculo sádico de dependência. Acostumando-se a essas regalias, o imperialista acaba por atrofiar certas funções de suas possibilidades e fica assim impossibilitado de um desenvolvimento integral, de uma autêntica autonomia. Poderemos portanto descrever todo imperialista como um “drogado”. Do ponto de vista do colonizado, as coisas já não são fáceis de ser compreendidas. De início é natural, o colonizado se revolta, reúne todo o seu ódio e o seu rancor na luta contra o dominador (a luta de Classes de Marx e Engels). Contudo, dada a diferença objetiva de força acaba por se dobrar. Até aí, tudo bastante simples. Entretanto, insólitos são os caminhos de uma psicologia prolongadamente silenciada nas suas reações: com o passar do tempo (o tempo é fundamental) observa-se no colonizado um esmaecimento da revolta, chegando quase sempre a uma submissão voluntária e algumas vezes até a uma docilidade pervertida. A exploração evoca-lhe sensualidade, a opressão ternura. Passa verdadeiramente a amar o dominador, a depender sinceramente dele. Renuncia de bom grado a sua consciência reflexiva, abandona sem hesitações suas aspirações de soberania e passa então a nortear seu procedimento conforme os ideais de seu dominador; o que cabe fazer, como deve pensar, o que deve desejar (um exemplo é o selvagem de Admirável Mundo Novo de Huxley). Do ato de obediência às normas dominadoras extrai intensa sensação de proteção (cobertura) e de bem-estar, podendo, tranquilo de consciência, dormir um ano sem as culpas e os remorsos das desobediências. A “boa consciência” é o bem supremo da mente colonizada e uma vez estabelecida completa-se o processo imperialista de colonização, estabilizando-se as primeiras instabilidades. Estabelece-se assim um vínculo masoquista de dependência no colonizado, e pelas mesmas razões, só que invertidas às do imperialista, poderemos também dizer que todo o colonizado é um “drogado”.

Dependendo do imperialista, desta dependência extrai o prazer, desse prazer extrai o orgulho, com este orgulho nega sistematicamente os efeitos sinistros dessa dependência sobre seu corpo existencial.

Podemos então concluir que todo o universo imperialista está caracterizado pela inevitável “narcotização” de seus participantes, sejam eles colonizados ou colonizadores. Se para o colonizador as “drogas” são as regalias evidentes do processo, pra os colonizados as “drogas” são os privilégios do infantilismo psicológico.

A dialética imperialista originalmente vem associada à exploração entre nações, mas pode, por extensão, aplicar-se às relações de exploração dentro de um país, de uma cidade, de uma corporação, de uma família e, mesmo, de uma personalidade.

Evitando uma possível reação por parte do colonizado, tenta mascarar a realidade, encobrir as evidências, confundir a verdade, podemos dizer que a propaganda ideológica polui consciências e envenena o conhecimento.

Deste modo, uma mesma produção cultural que num lugar ou numa época possa funcionar como agente de libertação e desalienação de consciências pode, noutro lugar ou noutra época, funcionar como um agente do entorpecimento e da alienação das consciências.

Alienação que justificaria o fato do homem de se submeter à escravidão. Essa capacidade de resistir vivo, mesmo como escravo, não pode ser explicada sem se recorrer ao poder da fé, do qual o poder do amor seria apenas uma subsidiária ou uma eventual encarnação.

Já foi dito que o prazer obtido pelos poderosos tem caráter sadomasoquista. Mas, como é sentido e vivido, esse tipo de prazer pode ser realmente considerado felicidade? Refiro-me à felicidade fruto da apropriação indébita e da expropriação autorizada e impune, como aquela do ladrão que rouba de ladrão.

Para que o homem se permita substituir o prazer de viver pelo poder de ter, algo aconteceu antes em sua fisiologia e em sua psicologia naturais e espontâneas.

Para alguns, o prazer de viver pode ser traduzido por AMOR. Mas o que é amar, além daquilo que explicam a fisiologia e a biologia? Sente-se por ele, precisa-se dele, delicia-se nele, acaba-se por ele, morre-se por ele, mata-se por ele, enfim, mas não se sabe o que, de fato, é ele.

Porém, quando usa-se ele como poder, contrariando sua natureza, sabe-se perfeitamente ao que ele se transforma: a maior e mais perigosa arma de chantagem autoritária que existe, através da qual se invalida o impulso da liberdade das pessoas, da espontaneidade de se amarem, verdadeiramente, sobretudo enquanto amadas e amantes. Mas para que possamos manipular a vida dos que nos amam e que dependem de nós, elas necessitam supor que somos o melhor, o maior, o único amante possível em suas vidas. Mas será sempre catastrófico o resultado da utilização do amor a serviço do poder, seja ele autônomo, religioso ou político,  porque manipulado dessa forma vai ocorrer, infalivelmente, a destruição do próprio amor. Só a liberdade, a autonomia e a verdade nos ensinam a aceitar biologicamente e humanamente o tempo, o espaço e o amor pelas coisas vivas.

Assim, para essas pessoas “drogadas”, a esperança de vir um dia a ser feliz transforma-se, para eles, numa espécie de dependência narcótica. Essa dependência, pelo menos, os mantém aparentemente vivos, embora sem amor espontâneo algum, quer dizer, mortos, mas ainda “insepultos”, como diz nas escrituras: “Deixai os mortos sepultar os seus mortos”.

Mas esses fatos podem nos levar a afirmação de que nesta sociedade os mortos comandam os vivos, num processo de desvivência progressiva. Mas, em paradoxo, devemos gritar: Morremos, porém não desvivemos!

Claro que o inimigo está bem armado e treinado para as batalhas cotidianas. Alucinados e insaciáveis, os profetas da pseudofelicidade estão muito longe de se convencerem.

Querem a todo custo propagar a teoria da necessidade de dominação, do extermínio da capacidade de raciocínio reacionário, da criatividade e espontaneidade de se amar.

Podemos então afirmar que a alegria de se amar está no modo simples e direto e gostoso de se expressar no âmbito funcional, espiritual, físico, emocional, psicológico, afetivo, sensual, ético e ideológico.

Como tal, deve ser, por natureza, sempre lábil, instável e furtiva, como acontece com as coisas que não existem por si próprias.

E isto provém do Espírito; alegria, coisa tão incerta como o vento, que é tão forte que às vezes vira tufão, outras parece brisa suave, que pode vir do sul ou do norte, do leste ou do oeste, mas que vem, queiramos ou não, do Criador, e na hora que bem entender.

É amor espontâneo, é a vida numa pulsação, com a qual o ser vivo expressa sua existência.

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

CADAFALSO PARA NOSSA INGÊNUA IDADE

15 de abril de 2017 Deixe um comentário

canto-1-dali

Seguindo na moda da nova(idade) média,
prossigo nas minha tolices na tentativa de enxergar algum resquicio de pureza na raça humanóide.
Neste meu protótipo de poeta,
sigo tropeçando nos trocadilhos que pairam à beira de minha tosca imagina(tividade),
embora ainda inativo e inoperante, caminhante, vagante e intolerante,
tentando encontrar um quê de credulidade, outrora perdida nos idos tempos da ingenuidade.
Ainda assim, achando-me na tentativa de poetar,
sabendo que para ser poeta não é por força nem por violência,
mas sim pela vivência na plenitude da inspiração do ser,
continuo neste vão improvisado, agradecendo a paciência dos que lêem
as fraquezas deste aprendiz do Caminho,
mergulhado em mero e involuntário desencanto.
E nestas linhas, sem a maestria da lisonja ou da dialética,
permaneço insistindo em aliviar o UIVO contínuo da alma
que teima invocar plenas e multifacetadas provocações,

palavreando desassossegadamente, ávido pela vida em desconstrução
mesmo que deixando um rastro não muito suave, mas sincero e verdadeiro.
À você, meu igual, dirijo minha muita gratidão.

Que a aurora do Espírito venha nos DESPERTAR da fatídica ilusão!

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Dócil voz que me chamará

15 de abril de 2017 Deixe um comentário

naufragodautopia

DÓCIL VOZ QUE ME CHAMARÁ

“Para aqueles que nas trevas caminham noite e dia

Tempo justo e justo espaço aqui não existem

Nenhum sitio abençoado para os que a face evitam

Nenhum tempo de júbilo para os que caminham

A renegar a voz em meio aos uivos do alarido.”

(Quarta feira de Cinzas, parte V – T. S. ELIOT)

 

Eis que o meu ex-eu

à sepultura desceu

Jaz meus vãos desencantos

Jaz meus inúteis lamentos

Jaz meus sombrios tormentos.

 

Não mais o ego corrompido

Pois minh’alma está contigo

ó Magnifico Criador!

 

Não mais fardos pesados

e fictícios sacrifícios.

Pois tu, Sublime Salvador

Ingênuo novamente me tornou…

 

E trevas já não mais cobrem de lama

minha inoportuna consciência.

Meu peito então se inflama

encontrando a dócil voz que me chama.

 

* Palavras inspiradas nas poesias de T. S. Eliot, em certas passagens como:
“Mas vós, será que tão bem edificastes para que vos deixeis estar ao desamparo numa casa em ruínas?
Aqui, onde muitos nasceram destinados ao ócio, à vida dissipada e à morte esquálida, ao exasperado menosprezo em colmeias sem mel,
E aqueles que pretendiam edificar e restaurar desde a raiz a palma de suas mãos, ou contemplar em vão terras estranhas para que mais copiosa fosse a esmola ou cheia de urna até as bordas.
Vossas construções conjugam desacerto e incúria, sentais vexados e surpresos de como pudestes juntos edificar um domicílio de DEUS no Espírito, o Espírito que se move à superfície das águas como um feixe de luz sobre o casco de uma tartaruga.
E alguns dizem: “Como podemos amar o nosso próximo?
Porque o amor se deve apenas conceber em ato, como o desejo se une à coisa desejada; só temos para dar nosso trabalho e nosso trabalho não nos foi solicitado. Aguardamos nas esquinas, e nada nos resta senão as canções que podemos cantar e que já ninguém deseja ouvir cantadas,
À espera de que ao fim nos rojem sobre um monturo mais inútil que o do estrume.”
Vós, será que tão bem edificastes para que a pedra angular volvesse ao pó de vosso olvido?
Falais das justas relações entre os homens, mas não das que mantêm os homens com DEUS.
[…]
E a Igreja deve estar sempre em construção, e sempre em agonia, e sempre em restauração.
Sofremos a consequência de cada má ação no passado cometida:
Por indolência, por usura, por gula, por desleixo com o Verbo de DEUS.
Por orgulho, por luxúria, por traição, por cada ação pecaminosa.
E sois herdeiros de tudo o que de bom se fez outrora.
Pois as boas e más ações pertencem a um homem apenas, quando de pé ele se põe do outro lado da morte,
Mas aqui sobre a Terra recebeis a recompensa pelo bem e pelo mal que antes de vós outros fizeram.
[…]
Mas em seus carros, indo ou vindo, todos se despencam.
Íntimos das estradas e sem pouso em parte alguma.
Nem a própria família em comunhão caminha,
Pois cada filho à sua moto se devota
E as filhas nos selins do acaso galopam.
Muito a derribar, muito a edificar, muito a restaurar;
Que não arraste o trabalho, que tempo e braços não mais sejam esperdiçados;
Que da furna se desgarre a argila, que o cutelo talhe a pedra,
Que o fogo não vacile em vossa forja.
III
O Verbo do SENHOR chegou a mim, dizendo
Ó míseras cidades de homens ardilosos,
Ó desprezíveis gerações de ilustrados,
Perdidos nos dédalos de vossa ingenuidade,
Vendidos aos dividendos de vossas próprias invenções,
Vos dei mãos que se rebelam agora contra o culto
Vos dei fala, e tagarelais em palavrório interminável,
Vos dei minha Lei, e organizais comissões,
Vos dei lábios que exprimissem fraternais anelos,
Vos dei corações, e ei-los à mútua desconfiança subjugados,
Vos dei poder de arbítrio, e apenas alternais
Fúteis raciocínios e ações irresponsáveis.
[…]
Pródigas são vossas construções, mas a Casa de DEUS não foi erguida.
[…]
E o vento dirá: “Aqui os ímpios foram dignos:
Seu único monumento, a rodovia asfaltada
E milhares de bolas de golfe.”
CORO: Em vão construiremos se o SENHOR conosco não constrói.
[…]
Ó minh’alma, prepara-te para a vinda da Forasteira,
Prepara-te para quem sabe como questionar.
Ó enfado de homens que a DEUS renunciaram
Em troca do fulgor de vossa mente e da glória de vossos feitos,
Do engenho e da arte de vossos projetos temerários,
Da grandeza humana de todo agora desacreditada,
Que águas e terras submeteu à sua insânia, […]
Podeis iludir a Vida, mas da Morte sois vassalos.
Não havereis de renegar a Forasteira.
Ó SENHOR, livrai-me dos homens de louváveis intenções e coração impuro, pois o coração sobre todas as coisas se engana e em desespero se revela iníquo.
Preservai-me do inimigo que tem algo a conquistar; e do amigo que anda tem o que perder.
Recordando as palavras de Neemias, o Profeta: “ A pá numa das mãos, e a garrucha no coldre engatilhada.”
Os que sentados se deixam numa casa de cuja serventia já ninguém recorda são como répteis que jazem sobre os degraus empoeirados, satisfeitos ao calor do sol.
E os outros ao redor se aprestam como cães, plenos de iniciativa, farejando e ladrando; dizem eles: “Esta casa é um ninho de serpentes, deixai-nos derribá-la,
E acabemos com tais abominações, com a vilania dos Cristãos.” E estes não se legitimam, como tampouco se justificam os outros.
E escrevem eles incontáveis livros; todos por demais inúteis e pelo silêncio aturdidos, ambicionando apenas sua própria exaltação e mal disfarçando o seu vazio.
(Trecho retirado do Poema “COROS DE “A ROCHA””, de T. S. ELIOT)
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Não por palavras mas essencialmente por atitudes!

17 de janeiro de 2014 5 comentários

igreja estragada

“Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. Assim saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante Dele quando o nosso coração nos condenar. Porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas.” (1 João 3:18, 19, 20)

Acredito que a Igreja iniciada em Jesus Cristo, ao longo de sua existência, sempre foi alvo de ataques constantes pelo poder maligno, e que nos dias atuais, mesmo com a falaciosa ideia de seu progresso, não é e não será menos confrontada.

Como na obra de Charles Swindoll intitulada “A Igreja Desviada“, onde o autor se refere a constantes e fulminantes ataques de natureza externa e interna, percebo que, ao passo que discursamos sobre um suposto progresso do cristianismo, paradoxalmente mais nos afastamos do poder autêntico que Deus nos confiou na propagação da verdade do evangelho e visão de Reino. Quanto mais discursamos nossa proximidade à Ele, mais orgulhosos, insensíveis e ineficazes nos tornamos.

Com discursos moralistas de que devemos olhar somente para o alvo, esquecemo-nos de meditar seriamente “o que é o alvo, ou onde está verdadeiramente localizado este alvo” (ver cap. 1 da Primeira Epístola aos Tessalonissenses). Na realidade, desde a institucionalização começada a partir de Constantino, a Igreja verdadeira (invisível) vem sendo ameaçada, sufocada e sutilmente inclinada à se estruturar e agir conforme o judaísmo farisaico, com seus discursos de triunfalismo apocalíptico e um orgulho sem igual. Swindoll cita um livro intitulado Snakes in Suits [ Cobras de Terno], cujo subtítulo é “Quando os psicopatas vão para o trabalho”.  Aqui ele faz inferência àqueles sociopatas que intentam se projetar às custas dos outros, sem trabalhar duro. Cuidado com esses espíritos, pois eles não somente estão por aí pelo mundo, na política e soltos na sociedade, mas também infiltrados dentro de instituições religiosas, inclusive cristãs. Eles são comparados à vampiros que tentam sugar o sangue que Jesus Cristo nos legou na cruz do calvário, tentam anular os ensinamentos os quais nos foram direcionados pelo Espírito de Deus. É como se fossem os “Judas Iscariotes”, que se infiltram no meio dos cristãos durante um longo tempo, impregnando a boa consciência do corpo de Cristo, com discursos autoritários, coletivizantes e moralistas, mas que não movem um só dedo para propagar a boa semente do evangelho, que é o compromisso individual em amor pelos irmãos. São falsos profetas, que não nasceram de novo, mas que forçosamente usam de astúcia, sutilezas e malícia para enganar até mesmo os escolhidos, quando distraídos e hipinotizados. Têm forma de piedade (2Tm 3:4-5) e falsa humildade (Cl 2:18), contando detalhadamente suas visões, e sua mente carnal os tornam orgulhosos (Cl 2:19). Fazem-se de juízes e mediadores “fazendo-nos submetermo-nos a regras como: Não manuseie!, Não prove!, Não toque!” (Cl 2:20-22). Mas na hora de trabalhar no Reino, são os primeiros a se ocultarem, e ficam assistindo a tudo em cima do muro. Muitos têm se espelhado e se confundido com este espírito ao longo da trajetória do cristianismo. Mas falta-lhes discernimento. Negligenciam o aviso de Paulo onde: “Contudo, os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2Tm 3:13). Eugene Peterson traduz esta passagem da seguinte maneira: “Homens inescrupulosos e traidores continuarão explorando a fé, mas são tão enganados quanto as pessoas que eles enganam.”.

Perversos se refere à malvados, vis, desprezíveis, depravados. Impostores se refere a feiticeiros, mágicos, trapaceiros ou embusteiros. Pessoas que induzem outras ao erro, ou nos termos mais atuais, charlatões. O termo de mal a pior se refere literalmente a “melhorarão no pior”, a mesma motivação de satanás: o engano. Isto explica a eficácia nos seus sermões.

Swindoll lembra-nos para não ficarmos surpresos com o engano, pois ele existe e requer de nós um senso de realidade. Devemos entender e admitir que há uma piora gradual das distorções heréticas. Em nada somos melhores do que nossos antepassados, e a Igreja em nada progrediu, a não ser em suas distorções e desvios. Como diz Swindoll: “Há sabedoria nessa frase concisa. Não se deixe enganar por nenhuma aparência: discurso persuasivo, folhetos atraentes, apoio de celebridades, grandes multidões, lógica convincente, personalidades simpáticas, nem mesmo Bíblias abertas!” Como ainda afirma o autor: as mensagens desses falsos irmãos são “ilusões de papel machê que se desfazem ao menor sinal de estresse […]. Precisamos de músculos espirituais que nos mantenham em pé em tempos difíceis.” Como frisa o teólogo Lewiw Sperry Chafer: “A maior parte de nossas atividades espirituais não passa de anestésico barato para amortecer a dor de uma vida vazia”. Pode ser traduzido na ilustração de como se cozinha uma rã viva, ou seja, não na água fria ou quente, mas na água morna, para que ela não perceba que sua vida esteja sendo ameaçada. Por incrível que pareça, hoje a pregação da cruz não é somente considerada loucura para o mundo, mas também para a igreja contemporânea (inferência do apologeta Steven Lawson).

Mas como diz Frank Viola em seu livro “Reimaginando a Igreja”: “inúmeros cristãos, incluído teólogos, pastores e pesquisadores estão buscando novas maneiras para renovar e reformar a igreja. Outros, já abandonaram por completo o conceito tradicional de igreja ou de reforma coletiva. eles estão convencidos de que a igreja institucional tal qual a conhecemos não é apenas ineficiente, mas é também carente de apoio e de fundamentação bíblicos. Por esta razão, sentem que seria um equívoco tentar reformar ou renovar a presente estrutura eclesiástica justamente porque a estrutura em si é a raiz do problema.” Nesta obra são levantadas pesquisas acerca da igreja como organismo e não organização, e como uma igreja orgânica pode funcionar em pleno século 21. Procura desmitificar a ideia de cristianismo arraigado a uma estruturação organizacional, problematizando questões que têm mais a ver com o desenvolvimento e maturidade do indivíduo enquanto cristão do que minimizar seu compromisso com o Reino reportando suas incumbências às instituições religiosas.

Para isso, não devemos reduzir o cristianismo a códigos ou leis, a discursos ou palavras persuasivas, mas acreditarmos que ele chegou a nós como uma experiência real, como uma nova e substancial qualidade de vida. Ao passo que procuramos entender o quão importante é inclinarmos a esta realidade de vida, passamos a perceber o quão profundo é o combate cristão ao qual estamos verdadeiramente inseridos, onde a alma pende para as coisas do imediato materialista, enquanto que o espírito inclina para as coisas atemporais, não perecíveis. Isto quer dizer que muitas vezes não conseguiremos, de fato, sermos imitadores de Cristo, doando nossas vidas ao próximo, contrariando a lógica humana. Muitas vezes nos sentiremos, de fato, insatisfeitos consigo mesmos, entristecidos pelas nossas limitações, impossibilidades, e circunstâncias às quais nos tornarão presos e arraigados nesta sociabilidade. Mas, como diz o apóstolo inspirado, é através de uma momentânea tristeza de espírito que chegaremos ao discernimento da suficiência de Cristo Jesus se tão somente nos alegrarmos na graça de Deus, e nos privarmos de fazer mal ao próximo, prejudicar nossos irmãos com belos e falsos discursos moralistas, com ingênuos e sutis engodos que não lhes levarão a nada, a não ser mais culpabilidade insana. Se atentarmos-nos tão somente em ajuda-los, quer seja em dádivas materiais, em conselhos dignos de amor, ou até mesmo em oração sincera à Deus, assim estaremos desconstruindo a falsidade religiosa, e abrindo ocasião para que o Espirito nos vivifique diariamente, apagando a cédula de inimizade que temos contra o Todo Poderoso, em Nome do Senhor Jesus Cristo.

Para isso, sem desejar encerrar o assunto, mas aguça-lo no consciente da coletividade, cito um pensamento de Dresden James:

“quando, através das gerações, uma teia de mentiras bem embaladas é gradualmente vendidas para as massas, a verdade aparenta ser completamente irracional e seu porta-voz, um lunático desvairado”.

Textos utilizados para esta reflexão textual:

Bíblia Sagrada – textos das epístolas: 1Jo cap. 3; 2Co cap. 8; 1Ts cap. 1;  2Tm cap. 3; Cl cap. 2. Edição NVI.

Reimaginando a Igreja – Para quem busca mais do que simplesmente um grupo religioso, de FRANK VIOLA. Editora Palavra.

A Igreja Desviada – Um chamado urgente para uma nova reforma, de CHARLES SWINDOLL. Editora Mundo Cristão.

A Falência dos Deuses – A idolatria moderna e a missão cristã, de VINOTH RAMACHANDRA. Editora ABU.

A Igreja na Cultura Emergente – Cinco pontos de vista, de LEONARD SWETT (org.). Editora Vida.

 

Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

 

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

 

Conhecendo a voz do Dono

10 de dezembro de 2013 Deixe um comentário

voz do dono

A personalidade, a obra e os ensinos de Cristo e, sobretudo, Sua morte e ressurreição marcam o começo do cristianismo. Muitas religiões poderiam subsistir sem fundadores humanos, mas tirar Cristo do cristianismo faria dele uma casca vazia sem vida. […] Ele não deixou qualquer organização nem nenhum sistema doutrinário bem articulado. Isto foi obra dos apóstolos – Paulo inclusive – guiados pelo Espírito Santo que Cristo enviou ao mundo para ministrar Sua ausência. A verdadeira Igreja, que tem Cristo como o Fundamento e o Espírito Santo como o Fundador, marchará triunfalmente, exaltando o Senhor crucificado, ressuscitado e glorificado, desde o Pentecoste até o presente.” (EARLE E. CAIRNS, em O Cristianismo Através dos Séculos)

Muito se tem recorrido às religiões de mistério num mundo pós moderno, quando o ceticismo já caiu na descrença das muitas almas cansadas e calejadas pelos constructos falseados de uma multifacetada intolerância, dos extremismos e outros muitos “ismos” que nada nos legou a não ser um vácuo ornamentado de perguntas sem respostas, uma diversidade de guerras sem vencedores, a reverberação de uma cacofonia imitando a confusão das línguas da era nimrodiana*…

A humanidade recorre facilmente e instantaneamente ao transcendental, buscando o sobrenatural, o “algo mais” em suas vidas. E nisto não estão totalmente equivocadas, pois o racionalismo metafísico materialista não conseguiu de forma alguma acrescentar algo em nossas vidas, não conseguiu responder aos dilemas, às perguntas que ressoam no consciente coletivo desde os primórdios da era na qual o homem “resolveu” buscar algum tipo de deidade para sua essência.

Não há um sequer quem não se incline por este assunto. Até os ateus, exceto os “atoas”, buscam, na forma de refutar a existência de um Criador, algo para se amparar, para se fundamentar. E nisto já temos pelo menos um motivo para denomina-los conscientes da necessidade humana de se descobrir o significado de sua existência. Isso já os torna, de certa forma, preocupados em dar sentido às vozes e aos ventos que sopram em seus ouvidos.

E, por falar em vozes, me lembrei de um treinamento que tive quando militar, no qual o combatente deve reconhecer ou discernir a voz do seu dono, ou seja, deve reconhecer a voz daquele que está no comando daquele pelotão ou grupamento ao qual ele está alinhado. Isto me trouxe sérios problemas na minha vida na caserna. Não que eu fui um militar alterado ou com uma ficha suja. Não tive sequer uma punição publicada. Entraves, alguns. Discordância com o sistema e consequentes retomadas de consciência, muitas.

Mas ao longo de minha trajetória ouvia algo muito nítido que reconduzia meu espírito na busca de uma lucidez, na busca do discernimento daquilo para o qual eu realmente havia sido chamado para realizar. E, quando me deparava com algumas cacofonias tentando me distrair, me desiludir ou me destruir, recorria de prontidão ao front, buscando reforço e Luz para que pudesse prosseguir marchando em direção ao “alvo”, sem distúrbios ou engano.

Fiz-me incompreendido algumas vezes, o que causou no sistema alguma náusea. Às vezes era visto como algum desalinhado. Às vezes me passava por alguma espécie de nuvem passageira.

Mas o que me fortalecia, o que me fazia prosseguir marchando, era justamente o discernimento da voz do comando ao qual me alinhava e me fazia desviar do “lógico desnecessário e inconsciente vicioso”, dos “modismos e da tradição cega dos néscios que buscavam o automático, a marcha superficial e inconsequente”, o que nesta nossa geração chama-se de Ctr C + Ctr V (quem lê que entenda).

Assim, aprendi que há uma voz nos chamando para a lucidez, para a verdadeira Liberdade que nos faz mais do que heróis, nos faz “artesãos de uma nova história traçada na eternidade”!

Ao que chamo de “intolerância a uma burrice persistente”, posso defini-la melhor, em termos militares, como: “comando errado não se executa”, mesmo se este comando vier de alguém que se auto-entitula “seu dono”, “seu comandante”.

O que posso lhe acrescentar, sem medo de fazer-me “chato ou redundante”, é o conselho para que você descubra quem é verdadeiramente o “seu dono”, o “seu comandante”. Pois, seja no reino de Deus ou no reino dos céus, não há lugar para os duvidosos ou os divididos. Há uma voz que soa e um vento que sopra veementemente na direção de cada ser: “… e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É o que ocorre quando nossas percepções são readquiridas, nos trazendo o despertamento da alma (Efésios 5:14), nos esclarecendo porque somos “mais do que vencedores”, exemplificando o que ocorrera com Agostinho em seu despertamento: “…como se uma luz serena tivesse invadido todo o meu coração, as trevas da dúvida se dissiparam inteiramente” (Confissões, VIII. 12:29)

Para finalizar, tenho a dizer que há muitas canções na Bíblia Sagrada, como o Cântico de Moisés, Cântico de Maria e muitos outros. Mas há fora do cânon um outro onde compartilho com você, leitor.

C â n t i c o   d o   L i v r e

Liberdade é o mote escrito ,

No céu, na terra e no mar!

Di-lo a fera no seu grito,

E as aves cruzando o ar;

Di-lo o vento da procela**

A vaga que se encapela,

E nos espaços a estrela

em seu contínuo girar;

Dilo tudo! mas ainda

Mais livre me criou Deus

Que os astros da altura infinda,

Os ventos e os escarcéus.

Eu tenho mais liberdade

Desta alma na imensidade,

Pois tenho nela a vontade,

Tenho a razão, luz dos céus.

(Soares dos Passos, Portugal)

*Alusão à eventualidade da confusão das línguas no tempo da construção da Torre de Babel, pelo rei Nimrod.

** Tempestade.

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e, especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas

Líderes Eclesiásticos: Homens de Deus ou homens-deuses?

18 de novembro de 2013 2 comentários

semideuses

“Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos […] Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. O maior entre vocês deverá ser servo. Pois, todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado.”

(Evangelho Segundo Mateus, cap. 23).

Há tempos eu aguardava escrever algo sobre questões envolvendo o conceito de autoridade nas suas ambivalências (humana e divina). Enfim, tomei um pouco de coragem e resolvi colocar meu rosto e minhas opiniões à iminência de reprovações.

Apesar das citações acima pertencerem a uma época onde o cristianismo estava em formação, tentando se desapegar das estruturações e articulações politizantes da religiosidade vigente da época – o  judaísmo institucionalizado e hierarquizado por castas e estamentos constituídos pela elite do poder em Israel –, ainda assim era difícil para a coletividade aperceber-se dos engodos e enganos que de certa forma deformava sua espiritualidade.

Era nesse misto, teocracia – republicanismo romano, que se encontrava o contexto vivido pela existência física do Cristo na terra dos homens. Caracterizada por uma religiosidade cega, hipócrita e gananciosa; bipolarizada em sua estrutura de poder: aqueles que mandam e desmandam, e aqueles que nada mais lhes cabe, senão obedecer compulsoriamente. Não havia rupturas no sistema. Não havia confrontações internas que ameaçassem o sistema religioso. Havia, porém, pequenas insurreições contra as políticas do Império Romano, mesmo que este, em muitos casos, isentava-se nas questões envolvendo religiosidade em sua colônia, Israel.

Deste contexto surge o Salvador, o qual, contrariando as expectativas de muitos, pregava um reino muito diferente daquele projetado pelos interesses religiosos. Promulgava um reino onde o maior deveria servir o menor – contrariamente ao que estava ocorrendo, de fato, entre os que se intitulavam herdeiros da promessa. Pois assim o Mestre disse a seus discípulos que estavam disputando a primazia no apostolado: “Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos’.” (Evangelho Segundo Marcos, cap. 9). Outra vez, mais adiante: “Quando os outros Dez ouviram essas coisas ficaram indignados com Tiago e João. Jesus os chamou e disse: ‘Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. (idem, cap. 10).

Mas passados quase dois mil anos, as estruturas e organizações institucionais religiosas, amparadas nas tradições humanas e nos modelos políticos, continuam construindo seus templos, suas estruturas de poder, incitando povos, raças e nações para se converterem aos seus modelos propostos, enquanto que ao mesmo tempo se tenta ofuscar a Luz que brilhou em um tempo muito distante! De um grupo de seguidores, denominados cristãos, peregrinos, surge um grupo distinto, organizado. Imitadores da instituição religiosa judaica, com seus líderes, bispos e mestres, culminando viciosamente nos mesmos formatos copiosamente enganosos, fomentando dissenções, divisões, ganancia, arrogância e “fetichismo autoritário” no meio do povo de Deus. Confundindo muitas mentes incautas, néscias e neófitas… fermentando, fazendo inchar por completo a massa que muito bem poderia ser representada pelos alicerces ensinados preliminarmente pelo Espírito que nos foi majestosamente concedido. Mas a despeito, o que vemos hoje é um cristianismo de excelentes discursos, embelezado por megaeventos, congressos e festividades que se fazem ressoar no imaginário coletivo um certo aspecto prenunciador da “parousia”; um certo mecanicismo de uma espiritualidade industrializada, fabricada a quatro paredes. Institucionalização de uma fé que se auto denomina igreja, “Casa de Deus”, proclamando-se oficialmente como elo entre Cristo e os homens. Fazendo-se presente na vida cotidiana como detentora que liga a terra e o céu; o céu e a terra. Mas, infelizmente, esqueceram-se de “examinar a si mesmos, fazendo-os fortes, não sabendo que já estão prestes a serem fatalmente reprovados perante Deus e destituídos de Sua presença”. (paráfrase de 2Corintios cap. 13)

Mas, paradoxalmente temos que não deve ter sido em vão o milagre de Jesus ao abrir os olhos de um cego “de nascença” e enfatizar a seus discípulos dizendo-lhes: “Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem. O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O assalariado não é o pastor a quem as ovelhas pertencem. Assim, quando vê que o lobo bem, abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca o rebanho e o dispersa. Ele foge porque é assalariado e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor, conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. […] Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho, e um só pastor.” (Evangelho Segundo João, cap. 10).

Será que o pastor não conhecerá, de fato, suas ovelhas? Será que não seremos verdadeiramente conhecidos como “corpo de cristo”, “casa de Deus”, “morada do Espírito Santo”? Ou deve haver ainda fórmulas, ordenanças, tradições, estruturas de madeira ou de concreto às quais devemos nos vestir e nos abrigar para tornarmo-nos cristãos autênticos? Será impossível uma espiritualidade desprovida de “aquisições, formatações, documentações” que nos dê credencial para proclamar (de preferência sem palavras mas com atitudes) o Reino de Deus que já está no meio de nós? Ou será apenas Utopia, idealizações às quais já caem em desuso nessa modernidade líquida e amórfica na qual tenta por toda força arrancar a identidade que ainda nos resta em nossa essência como herança de um reino eterno?

Quanto a estas indagações, o apóstolo dos gentios orienta-nos a “examinarmo-nos cada um a si mesmo” (1Co 11:28) e chama-nos à compreensão de que “o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo […] e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra” (idem).

Mas o que se vê ao longo do desenvolvimento da religiosidade institucional é o contrário do que apontou o Mestre por excelência, ou seja, há muitos que se intitulam homens de Deus com o intuito de serem servidos pelo rebanho, servindo-se de pretextos de humildade, com aparência de santidade, mas com um espírito de lobos enganadores, entrando pela porta dos fundos afim de confundir o rebanho de Deus, assaltando e transtornando casas espirituais, colocando valores indecorosos e de imundícia, prometendo-lhes o que não podem fazer, ou contando-lhes fábulas na forma de “pseudo-verdades”, chavões  os quais são propagados aos quatro ventos nos arraiais. (paráfrase de Colossenses 2:18-23)

De fato, o que se pode deduzir é que quanto mais se tenta organizar ou institucionalizar a fé, mais ela acaba se desviando de seu propósito primordial, mais ela se torna escravizadora ao invés de libertadora. Quanto mais se fabrica semi-deuses, mas o Deus Onipotente nos entrega a nossos próprios devaneios e egolatrias. Mais é extinguido de nossa vida cotidiana o doce amparo do Espirito Santo. Quanto mais se produz templos luxuosos, menos a religião se torna presente e útil no compartilhar de valores espirituais e do socorro aos necessitados. O que ocorre, infelizmente, é um caminho de mão única, onde serão mais bem aventurados e aceitos socialmente aqueles que entregarem seus bens e sua fé a uma instituição que lhes promete 100 vezes mais. É como se fosse uma loteria babilônica ou, mais precisamente, um fundo de capitalização no qual o reembolso torna-se cada vez mais incerto. É a reconstrução da torre pelos herdeiros do espírito de Nimrod, onde tenta-se levantar a todo as ordenanças mosaicas e rotulações exclusivistas de uma religiosidade de conveniências.

Mas a fábrica desses homens deuses não são constituídas unicamente por mercenários algozes, mas também por gentes ambiciosas que vislumbram as benesses e o tesouro corruptível aqui mesmo, nessa vida, nessa nuvem passageira. Não são ingênuas, mas sim compactuais à todo espírito de ganância, ambição e arrogância à que fazem jus. Não sabem, portanto, que sua alma já está sendo comercializada pelo barqueiro das almas, a menos que ainda lhes reste algum tempo para ouvir e praticar as palavras do Salvador, descontruindo a casa na areia e a reconstruindo sobre a Rocha Eterna! (Evangelho Segundo Lucas, cap. 6, vs. 46 a 49)

“Agora, estou pronto para visita-los pela terceira vez e não lhes serei um peso, porque o que desejo não são os seus bens, mas vocês mesmos. Além disso, os filhos não devem ajuntar riquezas para os pais, mas os pais para os filhos. Assim, de boa vontade, por amor de vocês, gastarei tudo o que tenho e também me desgastarei pessoalmente. […] Porventura eu os explorei por meio de alguém que lhes enviei? Recomendei a Tito que os visitasse, acompanhado de outro irmão. Por acaso Tito os explorou? Não agimos nós no mesmo espírito e não seguimos os mesmos passos? […] Temo que haja entre vocês brigas, invejas, manifestações de ira, divisões, calúnias, intrigas, arrogância e desordem. Receio que, ao visita-los mais uma vez, o meu Deus me humilhe diante de vocês e eu lamente por causa de muitos que pecaram anteriormente e não se arrependeram da impureza, da imoralidade sexual e da libertinagem que praticaram.”

(2Corintios cap. 12)

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Outsider é um termo voltado àqueles que buscam enxergar não apenas o que está impresso na capa, o que aparentemente é mostrado como verdadeiro, mas também o lado de fora, o que muitos se abstêm de averiguar. O outsider é o caminhante, o peregrino, o visionário forasteiro que vê o que há de ilimitado nas hipóteses. O que não aceita de imediato o pré-estabelecido. No livro "O outsider" Collin Wilson chegou bem próximo do que expressa o termo. Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

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